Mãe e irmão do rapper Oruam são presos em operação da Polícia Federal no Rio

Investigação apura esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Bloqueio de bens pode chegar a R$ 558 milhões.

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 11:26

Investigação apura esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Bloqueio de bens pode chegar a R$ 558 milhões.
Investigação apura esquema de controle do fornecimento de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho. Bloqueio de bens pode chegar a R$ 558 milhões. Crédito: Reprodução Internet

A mãe e o irmão do rapper Oruam foram presos nesta segunda-feira (19), durante uma operação da Polícia Federal (PF) contra um esquema de exploração de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro. A ação investiga suspeitas de envolvimento de integrantes do Comando Vermelho (CV) na imposição de um monopólio do serviço por meio de ameaças e violência.

Entre os alvos estão Márcia Gama Nepomuceno, mãe do artista, e Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, irmão do cantor. O pai de Oruam, Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que já está preso, também é alvo da investigação.

Batizada de Operação Backbone, a ação busca cumprir 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Até a última atualização divulgada pela Polícia Federal, 19 pessoas haviam sido presas.

Como funcionaria o esquema

Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizaria armas e ameaças para controlar o fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na Zona Norte do Rio.

De acordo com a PF, criminosos armados cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras concorrentes, além de impedir reparos nos equipamentos. Com isso, moradores e comerciantes seriam pressionados a contratar serviços conhecidos como “internet do tráfico”.

As apurações também apontam que provedores autorizados a operar nas comunidades pagariam taxas mensais para continuar oferecendo os serviços nos territórios controlados pela facção.

Registros contábeis identificados pelos investigadores indicam que, em um único mês, a cobrança relacionada à internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

Investigação sobre lavagem de dinheiro

A Polícia Federal também apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Conforme as investigações, os recursos obtidos com as atividades seriam movimentados por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem.

Parte do dinheiro teria sido dissimulada por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e criptoativos.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Também foi ordenada a suspensão das atividades econômicas de empresas apontadas na investigação, incluindo provedores de internet e produtoras de eventos.

A operação ocorre em municípios como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé.

Os investigados poderão responder por crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviços de telecomunicações e domínio social estruturado, entre outros delitos apontados pela investigação.

As responsabilidades individuais e as circunstâncias de cada caso deverão ser esclarecidas no decorrer do processo.