Mais de 37 milhões de brasileiros trabalham acima de 41 horas semanais

Dados da Rais mostram predominância de longas jornadas e embates sobre proposta que pode alterar escala de trabalho no país.

Publicado em 24 de junho de 2026 às 14:12

Dados da Rais mostram predominância de longas jornadas e embates sobre proposta que pode alterar escala de trabalho no país.
Dados da Rais mostram predominância de longas jornadas e embates sobre proposta que pode alterar escala de trabalho no país. Crédito: Reprodução 

Nesta quarta-feira (24), dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), revelaram que o Brasil tem 37,11 milhões de trabalhadores com jornada acima de 41 horas semanais, considerando vínculos formais dos setores público e privado.

O levantamento, com base em informações de fevereiro deste ano, aponta que esse grupo representa 73,7% do total de trabalhadores celetistas. A jornada máxima prevista por lei é de 44 horas semanais, e esse cenário aparece no momento em que avança no Congresso a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6x1 e da redução da carga de trabalho.

Segundo a Rais, outros 9,24 milhões de trabalhadores atuam entre 31 e 40 horas por semana, enquanto 2,16 milhões cumprem jornadas de 21 a 30 horas. Já 1,81 milhão trabalham até 20 horas semanais.

A proposta de mudança na escala segue em discussão no Senado Federal após aprovação na Câmara dos Deputados. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar do andamento do texto.

O levantamento também mostra que o Brasil registrou 62,2 milhões de vínculos formais ativos em fevereiro deste ano. Em comparação com dezembro do ano anterior, houve aumento de 1,38 milhão de postos de trabalho.

Desse total, mais de 1 milhão de vagas foram abertas no setor público, com destaque para contratações temporárias, que somaram 886,9 mil vagas. O ministério explica que esse movimento costuma ocorrer em ciclos sazonais, especialmente em áreas como a educação, com demissões no fim do ano e novas contratações no início do ano letivo.

Entre os trabalhadores celetistas, sem considerar temporários e empregados domésticos, houve alta de 0,81% no estoque de empregos formais, que passou de 47,59 milhões no fim de 2025 para 47,97 milhões em fevereiro deste ano.