Mais de R$ 5,6 bilhões em 'dinheiro esquecido' ainda podem ser resgatados por clientes segundo Banco Central; saiba como

Cerca de 23,6 milhões de pessoas físicas e 2,2 milhões de empresas têm direito a saques de valores deixados em instituições financeiras

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 16:32

Banco Central (BC) atualizou os dados nesta terça-feira (8) e informou que os clientes de instituições financeiras ainda possuem R$ 5,64 bilhões em "recursos esquecidos".
Banco Central (BC) atualizou os dados nesta terça-feira (8) e informou que os clientes de instituições financeiras ainda possuem R$ 5,64 bilhões em "recursos esquecidos". Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Banco Central (BC) atualizou os dados nesta terça-feira (8) e informou que os clientes de instituições financeiras ainda possuem R$ 5,64 bilhões em "recursos esquecidos" disponíveis para resgate. O balanço, que contabiliza os valores acumulados até julho deste ano, revela que a maior parte desse montante pertence a cidadãos comuns. No total, são R$ 4,24 bilhões de direito de 23,6 milhões de pessoas físicas e R$ 1,4 bilhão de titularidade de 2,2 milhões de empresas.

O volume de dinheiro esquecido vem registrando quedas sucessivas nos últimos meses. Em março de 2026, o montante acumulado chegava a R$ 10,6 bilhões nas instituições financeiras. Essa redução expressiva ocorreu principalmente porque, no final de maio, R$ 5,7 bilhões foram transferidos pelo governo federal para o Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Essa transferência teve como objetivo oferecer garantias e cobrir eventuais calotes no programa Desenrola 2.0, voltado para a renegociação de dívidas populares. Posteriormente, o saldo remanescente disponível para saques recuou para R$ 6,2 bilhões em maio e para R$ 5,1 bilhões em junho.

A manobra de transferência do montante para o fundo público, contudo, entrou na mira do Tribunal de Contas da União (TCU). Técnicos do órgão investigam o uso do dinheiro esquecido para financiar programas federais por fora do orçamento oficial da União. Por não passarem formalmente pelo orçamento geral, esses recursos ficam isentos dos limites de gastos federais, que proíbem o crescimento de despesas acima de 2,5% ao ano além da inflação.

Caso tivessem sido integrados de maneira convencional ao orçamento, o governo seria obrigado a bloquear o mesmo valor em outras despesas discricionárias para cumprir o teto de gastos, o que ampliaria as dificuldades da gestão em ano eleitoral. Atualmente, a limitação de recursos já mantém R$ 17,9 bilhões bloqueados, afetando atividades de fiscalização e agências reguladoras.

Para quem deseja verificar se tem direito a alguma parcela dos recursos, o Banco Central ressalta que o único canal de consulta e solicitação de devolução é o site oficial https://valoresareceber.bcb.gov.br. A liberação dos saldos exige obrigatoriamente o fornecimento de uma chave Pix no sistema.

Caso o beneficiário não possua uma chave cadastrada, será necessário criá-la ou entrar em contato direto com a instituição financeira detentora do dinheiro para pactuar a forma de recebimento. No caso de pessoas falecidas, a consulta e o saque podem ser feitos por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, mediante o preenchimento de um termo de responsabilidade no sistema.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.