Publicado em 27 de maio de 2026 às 09:26
O líder do Primeiro Comando da Capital, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, demonstram profunda surpresa e indignação com os desdobramentos da Operação Vérnix. A ação, coordenada em conjunto pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo, apura uma rede bilionária de ocultação de bens ligada à facção. Diretamente da Penitenciária Federal de Brasília, onde cumpre pena em segurança máxima desde 2019, o preso rechaçou qualquer envolvimento no caso e negou conhecer figuras centrais da investigação, como a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra.>
As declarações constam em uma nota oficial emitida nesta quarta-feira pelo seu advogado, Bruno Ferullo Rita, logo após uma videoconferência de atendimento jurídico no presídio. No comunicado, a defesa enfatiza que o detento não tem nenhuma ligação, seja ela direta ou indireta, com a Lopes Lemos Transportes Ltda., empresa apontada pelas autoridades como a peça chave para branquear o capital do crime organizado. Marcola também aproveitou para rebatizar os termos da investigação, rejeitando o codinome "Narigudo", atribuído a ele pelos investigadores nos relatórios sigilosos.>
A operação que sacudiu o mundo jurídico e das celebridades é fruto de um trabalho de formiguinha que já dura cerca de sete anos. Tudo começou com a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. Esses papéis antigos faziam menção direta a uma transportadora que estaria sendo usada pela cúpula da organização para movimentar fortunas. Ao cruzar dados e analisar celulares apreendidos ao longo dos anos, a polícia concluiu que a família Camacho mantinha as rédeas e a influência sobre essa estrutura financeira, mesmo com suas principais lideranças isoladas em presídios federais.>
O cerco da Justiça mirou um grupo seleto de pessoas próximas ao líder, incluindo seu irmão Alejandro Camacho e seus sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Sobre o clã, a defesa limitou-se a pontuar que o único vínculo real de Marcola com o processo se resume estritamente ao laço de parentesco consanguíneo.>
No entanto, o que mais chamou a atenção do público jovem e conectado foi a inclusão de Deolane Bezerra e de Everton de Souza no rol de investigados. A tese da Polícia Civil indica que a influenciadora teria recebido repasses financeiros robustos vindos diretamente da transportadora sob suspeita, transações que os investigadores classificam como "acertos de contas" e não como honorários por trabalhos lícitos. Assim como o líder da facção, os advogados de Deolane negam veementemente qualquer tipo de irregularidade.>
O impacto financeiro da investida policial é estrondoso. Visando sufocar a contabilidade da organização, o Poder Judiciário decretou prisões preventivas, o confisco de carros de luxo e o bloqueio de contas bancárias que, somados, ultrapassam a marca de R$ 327 milhões. Além disso, os alvos que se encontram fora do país foram incluídos na lista vermelha de procurados da Interpol, internacionalizando de vez o caso.>