Publicado em 6 de maio de 2026 às 15:33
Um médico de 27 anos denuncia ter sido internado de forma involuntária em uma clínica de reabilitação em Teresina, no Piauí, onde teria permanecido por aproximadamente 40 dias sem acesso a celular, advogado ou comunicação com o mundo externo. Segundo ele e sua defesa, a decisão teria ocorrido após ele revelar ser gay aos pais, que não teriam aceitado a informação. Já a família sustenta que o jovem enfrentava problemas com drogas.>
De acordo com a advogada Juliana Irineu, que representa o médico, ele foi retirado da própria residência por quatro homens que o abordaram dentro do quarto, após ser chamado pela mãe. O profissional relata que houve luta corporal e que pediu por um advogado e por exames que comprovassem que não havia uso de substâncias ilícitas, mas não foi atendido.>
Ainda segundo a defesa, após a contenção, ele foi levado por uma ambulância do Samu até a clínica, onde teve o celular e documentos retidos. O médico afirma que só recebeu avaliação psiquiátrica dias depois da entrada, quando foi apontado como dependente de cocaína, sem a realização de exame toxicológico prévio.>
Durante o período em que esteve internado, ele relata ter sido medicado diariamente sem consentimento e sem explicação sobre os remédios utilizados. A defesa afirma que o quadro emocional do paciente se agravou ao longo da permanência na unidade.>
Para a advogada, a internação foi motivada pela descoberta da orientação sexual do cliente. Segundo o relato, os pais, descritos como conservadores, teriam tomado a decisão poucos dias após a revelação, temendo exposição social. A família, no entanto, afirma que a medida foi adotada por suspeita de dependência química.>
Após conseguir acesso a um celular dentro da clínica, o médico entrou em contato com amigos, que acionaram a advogada. Ela tentou inicialmente reverter a situação por meio de habeas corpus, mas o pedido não foi analisado sob a justificativa de que a internação não era recente.>
A defesa também relata que um delegado apontou possibilidade de cárcere privado e orientou a presença da Polícia Militar na clínica. No local, segundo a advogada, houve resistência para liberação de documentos e acesso ao paciente, além de tensão entre família e equipe jurídica.>
O caso foi levado à Central de Flagrantes de Teresina, onde houve nova avaliação da autoridade policial sobre a legalidade da internação. Segundo a defesa, o entendimento inicial foi de que poderia haver respaldo legal, mas a advogada contestou, alegando ausência de critérios médicos e legais exigidos para esse tipo de medida.>
Após a repercussão do caso, os pais solicitaram o encerramento da internação e a devolução dos pertences do médico. Até o momento, Ministério Público, Conselho Regional de Medicina e Polícia Civil do Piauí não se manifestaram sobre o caso. O espaço segue aberto para posicionamentos.>