Publicado em 15 de maio de 2026 às 09:54
O que deveria ser um local de cuidado e socorro virou balcão de negócios perigosos na Baixada Fluminense. Um médico e uma servidora pública foram afastados de suas funções na UPA Patrícia Marinho, em Nova Iguaçu, após serem flagrados em um esquema de venda e aplicação ilegal do medicamento Mounjaro, droga que ganhou fama mundial pelo potencial de emagrecimento, mas que ali era tratada fora de qualquer norma de segurança.>
A operação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ganhou as ruas na tarde desta quinta-feira (14), com o cumprimento de três mandados de busca e apreensão. Os agentes vasculharam não apenas a unidade de saúde, mas também endereços ligados aos acusados. Tudo começou com um alerta anônimo que denunciava a comercialização irregular da substância em pleno horário de expediente.>
As investigações revelaram um "passo a passo" criminoso dentro da unidade pública. A servidora ficava na linha de frente, abordando pacientes e fazendo o meio-campo das negociações. Já o médico assumia a parte técnica, realizando as consultas e aplicando o produto. O detalhe mais alarmante é que não havia exames prévios ou qualquer protocolo médico sério; a prioridade era o pagamento de R$ 150,00, aceito em dinheiro ou via Pix.>
A segurança dos pacientes era colocada em risco a cada aplicação. O Ministério Público detalhou que o suposto medicamento era armazenado em ampolas genéricas e administrado com seringas, sem qualquer etiqueta de identificação, registro sanitário ou comprovação de origem. Na prática, quem buscava o emagrecimento rápido na UPA recebia uma substância misteriosa, sem o aval das autoridades reguladoras brasileiras.>
Com o afastamento da dupla, as autoridades agora aprofundam as análises nos materiais apreendidos para entender a extensão do lucro e se há mais pessoas envolvidas na rede. Enquanto isso, o caso serve de alerta sobre os perigos de tratamentos estéticos realizados clandestinamente, especialmente quando o jaleco e o ambiente público são usados para mascarar crimes contra a saúde coletiva.>