Membro de organizada do Cruzeiro é condenado a 67 anos por cerco violento a torcedores do Atlético-MG

Grupo usou barras de ferro, pedras e explosivos para interceptar coletivo com atleticanos.

Publicado em 13 de agosto de 2026 às 08:17

Membro de organizada do Cruzeiro é condenado a 67 anos por cerco violento a torcedores do Atlético-MG
Membro de organizada do Cruzeiro é condenado a 67 anos por cerco violento a torcedores do Atlético-MG Crédito: Cecília Pederzoli/TJMG

Um dos episódios mais marcantes de violência entre as torcidas organizadas do Cruzeiro e do Atlético-MG na capital mineira teve um desfecho definitivo na Justiça. Samuel Paixão de Souza, integrante da Máfia Azul (torcida organizada do Cruzeiro), foi condenado a 67 anos de reclusão pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte na noite desta quarta feira (12). Ele foi responsabilizado por participação direta na emboscada brutal contra um ônibus que transportava torcedores atleticanos e passageiros comuns, em novembro de 2021. Como o acusado não compareceu ao julgamento, a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti expediu um mandado de prisão preventiva para que a pena comece a ser cumprida imediatamente.

A condenação de Samuel encerra a responsabilização do grupo cruzeirense após uma longa disputa nos tribunais, marcada por anulações de júris anteriores devido a falhas processuais. No final de julho deste ano, outros três torcedores do Cruzeiro envolvidos no mesmo crime já haviam recebido penas severas de 20, 24 e 48 anos de prisão. Samuel seria julgado na mesma data, mas teve o processo separado do restante do grupo por alegações médicas de sua defesa. Durante a sessão desta quarta feira, conduzida por um conselho de sentença formado por cinco homens e duas mulheres, o réu acabou punido por homicídio consumado triplamente qualificado e por seis tentativas de homicídio qualificado.

O crime aconteceu em 28 de novembro de 2021, logo após uma partida entre Atlético-MG e Fluminense no Mineirão. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, os cruzeirenses armaram uma emboscada no itinerário da linha 6350 para interceptar os torcedores do Atlético-MG que retornavam para a região do Barreiro. A bordo de um carro de apoio, o grupo cercou o coletivo e promoveu um cenário de horror, arremessando pedras, barras de ferro, pedaços de madeira e bolas de sinuca contra as janelas.

Mesmo sob apelos desesperados para que idosos e crianças fossem liberados, os agressores atacaram quem tentava escapar. Matheus de Freitas Ferreira, de 20 anos, torcedor que sequer usava camisa de clube ou de organizada, foi espancado gravemente e não resistiu aos ferimentos. A Polícia Militar prendeu os suspeitos em fuga e apreendeu soco inglês, artefatos explosivos e bastões dentro do veículo usado no cerco.