'Milícia privada': ações contra adversários encontradas em celulares levaram à nova prisão de Vorcaro; entenda

Conforme a PF, o dono do Banco Master utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar adversários e intimidar pessoas que seriam contrárias aos seus interesses

Publicado em 4 de março de 2026 às 12:22

'Milícia privada': ações contra adversários encontradas em celulares levaram à nova prisão de Vorcaro; entenda
'Milícia privada': ações contra adversários encontradas em celulares levaram à nova prisão de Vorcaro; entenda Crédito: Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a ser preso preventivamente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi tomada no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal para apurar suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e outros crimes ligados ao Banco Master.

De acordo com os investigadores, novas análises realizadas em celulares apreendidos em fases anteriores da operação revelaram mensagens que indicariam tentativas de interferência no andamento das apurações.

Segundo a Polícia Federal, as conversas apontam que Vorcaro teria utilizado colaboradores para monitorar pessoas consideradas adversárias, levantar informações pessoais e acompanhar publicações relacionadas às investigações.

Grupo era usado para monitoramento

Os investigadores afirmam que as articulações ocorriam em um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”, descrito pela PF como um núcleo informal que funcionaria como braço operacional da organização investigada.

Entre os participantes citados nas mensagens está Luiz Phillipi Machado de Moraes, conhecido como “Sicário”, que teria atuado na coleta de informações sobre pessoas ligadas ao caso.

Para a Polícia Federal, o conteúdo encontrado nos aparelhos indica que o grupo discutia estratégias para reagir a reportagens e acompanhar movimentações de pessoas envolvidas nas investigações.

Jornalista é citado em mensagens

Em um dos diálogos analisados, Vorcaro menciona o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Na conversa, ele sugere que o profissional fosse agredido durante um suposto assalto.

O interlocutor responde afirmando que o grupo estava monitorando conteúdos considerados negativos e que buscaria neutralizar essas publicações enquanto divulgava informações favoráveis ao empresário.

Para os investigadores, o teor das mensagens indica uma possível tentativa de intimidar ou pressionar pessoas relacionadas ao caso, o que poderia prejudicar o andamento das investigações.

Risco de obstrução da Justiça

A Polícia Federal sustenta que os elementos identificados nas conversas reforçam o risco de obstrução de Justiça, fator que motivou o pedido de nova prisão preventiva.

Além de Vorcaro, a operação também mira outros investigados suspeitos de participação no esquema. Entre eles está Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e apontado como possível operador financeiro do grupo. Ele se apresentou à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (4).

A decisão judicial também determinou buscas contra ex-diretores do Banco Central, além de outras medidas cautelares.

Bloqueio bilionário de bens

Outro ponto da decisão foi o bloqueio de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões, medida adotada para garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.

Mandados de prisão e de busca e apreensão também foram cumpridos em diferentes estados.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e que nunca tentou interferir nas investigações.

Os advogados declararam ainda que confiam no devido processo legal e que o esclarecimento dos fatos demonstrará a regularidade das ações do banqueiro.

Vorcaro já havia sido preso em fases anteriores da investigação, mas foi liberado por decisão judicial antes da nova determinação do STF.