Publicado em 12 de maio de 2026 às 07:51
O surgimento de casos de hantavirose a bordo do cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Atlântico Sul, acendeu um alerta global, mas o Ministério da Saúde do Brasil tranquiliza a população: não há risco de disseminação dessa variante específica no território nacional. A grande diferença está no "DNA" do vírus. Enquanto no navio a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a circulação do genótipo Andes, uma versão rara que permite o contágio direto entre seres humanos, no Brasil o vírus só é transmitido pelo contato com roedores silvestres.>
Até o momento, em 2026, o Brasil confirmou sete diagnósticos e uma morte pela doença. O óbito ocorreu em Minas Gerais, onde um homem de 46 anos faleceu em fevereiro após ter contato com um rato silvestre em uma lavoura. No Paraná, dois casos foram oficializados recentemente. Contudo, o Governo Federal reforça que esses registros são isolados e não possuem qualquer conexão com o surto ocorrido em alto-mar.>
O cenário no Brasil: tendência de queda>
Apesar do susto, os números mostram que a doença está perdendo força. Em 2025, o Brasil registrou 35 casos, o menor índice da série histórica recente. Segundo o Ministério da Saúde, já foram identificados nove tipos de hantavírus em solo brasileiro, e em nenhum deles houve registro de transmissão de pessoa para pessoa.>
Especialistas e secretários estaduais de saúde reforçam que o monitoramento é rigoroso. "Muitas pessoas ficaram preocupadas, mas é importante esclarecer que não há motivo para alarme. São casos esporádicos em áreas rurais", afirmou o secretário de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti. No Paraná, a vigilância também segue ativa, garantindo que os profissionais estão prontos para tratar qualquer suspeita com agilidade.>
O que você precisa saber sobre a prevenção>
Como a variante brasileira depende do contato com animais, o foco total está na higiene em ambientes rurais ou galpões fechados. Confira as principais recomendações:>
• Evite a poeira seca: Não varra locais que possam ter vestígios de roedores. O ideal é umedecer o chão antes de limpar para evitar que as partículas subam ao ar.>
• Ventilação é tudo: Antes de entrar em ambientes que ficaram fechados por muito tempo, abra portas e janelas para circular o ar.>
• Proteção de alimentos: Mantenha grãos e resíduos em recipientes bem fechados para não atrair ratos do mato.>
Entenda o vírus>
A hantavirose é uma infecção aguda que, se não tratada, pode evoluir para síndromes respiratórias graves e choque circulatório. A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas da urina, fezes ou saliva de ratos silvestres infectados. No caso do cruzeiro operado pela Oceanwide Expeditions, o ambiente fechado e o contato prolongado facilitaram a transmissão humana do tipo Andes, resultando em três mortes um cenário que, tecnicamente, não encontra eco na realidade biológica dos vírus que circulam hoje no Brasil.>