Publicado em 22 de maio de 2026 às 18:22
Nesta sexta feira (22), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o retorno do banqueiro Daniel Vorcaro para a sala de Estado maior na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O espaço especial é o mesmo local que já abrigou o ex presidente Jair Bolsonaro. A decisão tira o empresário de uma cela comum, onde ele havia sido alojado após a Polícia Federal rejeitar sua proposta de delação premiada.>
Para embasar a mudança, o ministro destacou um alerta feito pela Procuradoria Geral da República (PGR) sobre os riscos envolvidos no confinamento do banqueiro em uma cela comum. O órgão apontou que a forte exposição na mídia e a possibilidade de contato com outros integrantes da suposta organização criminosa poderiam comprometer a segurança e o andamento das investigações. Na cela convencional, Vorcaro também enfrentava regras bem mais rígidas para se encontrar com seus advogados.>
Mesmo com a negativa da Polícia Federal, que considerou o material trazido pelo banqueiro superficial e focado em proteger aliados, a PGR ainda analisa o acordo de colaboração separadamente. Buscando destravar as negociações, o dono do Banco Master aceitou subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido aos cofres públicos. O impasse nos bastidores provocou inclusive a saída do renomado advogado José Luis Oliveira Lima da defesa do empresário, que pedia a ida dele para um batalhão da Polícia Militar.>
A sala de Estado maior é um direito previsto por lei, originalmente destinado a advogados, promotores e juízes para evitar que fiquem misturados com a massa carcerária comum. Na prática, o benefício costuma ser estendido por juízes a outras autoridades civis e militares com direito a prisão especial, como já ocorreu no passado com os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Michel Temer durante seus períodos de detenção.>