Publicado em 5 de julho de 2026 às 19:36
O Ministério Público do Maranhão (MPMA) apresentou denúncia criminal contra a empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos. Eles são acusados de tortura, tentativa de homicídio qualificado e tentativa de aborto contra a trabalhadora doméstica Samara Regina Dutra Soares, de 19 anos, que estava grávida de seis meses.>
A denúncia, assinada pela promotora de Justiça Nahyma Ribeiro Abas, foi recebida pela Justiça na última quinta-feira (2). Ambos os denunciados seguem presos preventivamente.>
Violência por um anel que nunca foi roubado>
Samara havia sido contratada de forma verbal para prestar serviços domésticos temporários na casa da empresária, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. Poucos dias depois, foi acusada injustamente de furtar um anel.>
De acordo com o MP, o policial Michael Bruno, armado, agrediu a jovem com uma coronhada na testa, arrastou-a pelos cabelos e a manteve de joelhos, sob a mira de uma arma, enquanto fazia ameaças. Os acusados ainda teriam planejado dopá-la e levá-la para um sítio, onde pretendiam matá-la.>
O anel foi encontrado mais tarde em um cesto de roupas na própria residência da patroa, comprovando que o objeto havia sido esquecido por Carolina Sthela.>
Mesmo após a descoberta, as agressões continuaram. A empresária desferiu socos e tapas na vítima, enquanto o policial a imobilizava. Grávida de seis meses, Samara curvou-se sobre a barriga para proteger o bebê.>
A jovem havia aceitado o trabalho temporário justamente para comprar o enxoval da criança.>
Provas incluem áudios da própria acusada>
A denúncia é sustentada por robustas provas:>
• Exames de corpo de delito;>
• Laudos periciais que confirmaram perda auditiva na vítima;>
• Registros de chamadas para a Polícia Militar (190);>
• Dois áudios gravados pela própria Carolina Sthela.>
Em um dos áudios, a empresária afirma: “A Carol dos velhos tempos voltou assim: florescendo. Dei tanto nessa mulher que até hoje minha mão tá aqui inchada.”>
Em outro trecho, ela declara: “Não era nem para ter saído viva.”>
Carolina ainda relata que uma viatura da PM os abordou no dia das agressões, mas ela foi liberada por um policial conhecido, que teria dito: “Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas”.>
Pedidos da promotoria>
O MP requereu que os acusados sejam julgados pelo Tribunal do Júri pela tentativa de homicídio qualificado. A promotoria também pediu a manutenção das prisões preventivas, a realização de novas diligências e manifestou-se contra o sigilo processual, destacando o “amplo interesse social e repercussão pública” do caso.>
Até o momento, as defesas de Carolina Sthela e Michael Bruno não se manifestaram sobre a denúncia. O espaço segue aberto para pronunciamento.>