MP investiga ex-delegado-geral de SC por suspeita de irregularidades no caso do cão Orelha

Procedimento apura possível abuso de autoridade, violação de sigilo e improbidade administrativa durante a condução da investigação sobre a morte do animal.

Publicado em 15 de março de 2026 às 12:06

(Ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel)
(Ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel) Crédito: Polícia Civil - Arquivo

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou um inquérito civil para investigar a conduta do ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, por suspeitas de irregularidades na apuração do caso do cão Orelha, animal comunitário que morreu em janeiro de 2026 após sofrer agressões na Praia Brava.

A medida foi tomada pela 40ª Promotoria de Justiça após a análise de diversas representações populares apresentadas contra o então chefe da corporação. O procedimento preparatório aberto em fevereiro evoluiu para inquérito civil formal em março deste ano.

A investigação busca esclarecer possíveis condutas como abuso de autoridade, violação de sigilo funcional, por eventual divulgação indevida de informações da investigação, e improbidade administrativa, incluindo a suspeita de uso da posição pública para promoção pessoal em publicações nas redes sociais.

Ulisses Gabriel, que deixou o cargo no início de março para se lançar pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL), afirmou em nota que ainda não foi formalmente notificado nem convocado para prestar esclarecimentos. O ex-delegado nega qualquer irregularidade e sustenta que não presidiu diretamente o inquérito policial, tendo atuado apenas como porta-voz institucional da Polícia Civil. Segundo ele, a defesa deverá pedir o arquivamento do caso. O prazo para apresentação de manifestação é de 15 dias.

O caso do cão Orelha gerou grande repercussão nacional em janeiro, após o animal ser agredido por adolescentes. Um deles é apontado como autor principal das agressões fatais. A Polícia Civil concluiu o inquérito envolvendo os menores, com pedido de internação para um deles, além do indiciamento de três adultos (pais e tio dos adolescentes) por coação a testemunhas.

Durante a repercussão do caso, Ulisses Gabriel chegou a adotar o cão Caramelo, outro animal da região que teria sido vítima de tentativa de afogamento pelo mesmo grupo. Na ocasião, o então delegado também defendeu publicamente medidas mais duras contra menores infratores, o que ampliou o debate e gerou críticas.

A apuração contra o ex-delegado segue em andamento no Ministério Público e, até o momento, não há decisão final sobre o caso. Enquanto isso, o episódio continua repercutindo nas redes sociais e na imprensa, com opiniões divididas entre defensores da causa animal e apoiadores da atuação policial à época.

Com informações do portal G1