Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16:55
O Ministério Público Militar (MPM) encaminhou nesta terça-feira (3) ao Supremo Tribunal Militar (STM) representações que pedem a perda de posto e patente dos militares condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A medida pode resultar na expulsão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de quatro oficiais-generais das Forças Armadas.
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Estão na lista o almirante Almir Garnier Santos e os generais Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Walter Braga Netto. Todos foram condenados por participação na trama golpista e, por possuírem patente militar, dependem de decisão exclusiva do STM para eventual exclusão das fileiras militares.>
Pela Constituição Federal de 1988, um oficial pode perder o posto e a patente quando condenado a pena superior a dois anos de prisão. Caso o tribunal acate os pedidos do MPM, os réus poderão se tornar os primeiros militares a perder a insígnia por crimes contra a democracia.>
Como funciona o julgamento>
Após o recebimento das representações, o STM faz o registro formal dos pedidos e realiza o sorteio de um relator e de um revisor. A partir daí, os militares têm dez dias para apresentar defesa por escrito. Se não houver manifestação no prazo, o tribunal nomeia um defensor público.>
Encerrada a fase de defesa, o relator elabora o voto e, após a análise do revisor, ambos podem apresentar sustentação oral durante o julgamento. Com a decisão final e o trânsito em julgado, o STM comunica o resultado ao comandante da Força à qual o militar pertence.>
Se for declarada a indignidade ou incompatibilidade com o oficialato, a cassação do posto e da patente é automática e obrigatória.>
Segundo o MPM, não há prazo definido para a conclusão do processo, mas julgamentos desse tipo costumam levar, em média, seis meses. Também existe a possibilidade de o STM rejeitar as representações, permitindo que os militares mantenham suas patentes, mesmo após as condenações e os pedidos do Ministério Público.>