Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 17:30
No dia 6 de fevereiro, em Bom Jesus do Tocantins, sudeste do Pará, o Ministério Público Federal exigiu que órgãos ambientais informem, de forma culturalmente adequada, o povo indígena Gavião sobre a contaminação ambiental detectada na Terra Indígena Mãe Maria, após laudos confirmarem presença de metais pesados na água e mercúrio em peixes durante o licenciamento da Estrada de Ferro Carajás.>
A requisição foi enviada ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e à Fundação Nacional dos Povos Indígenas pela procuradora da República Gabriela Puggi Aguiar. O objetivo é garantir que os indígenas recebam informações claras sobre os riscos, além das medidas de mitigação e compensação, assegurando a segurança alimentar e o uso da água no território.>
A medida foi tomada após reunião com lideranças indígenas, que relataram preocupação e abalo emocional ao descobrirem os registros de contaminação. Segundo os relatos, a comunidade não recebeu explicações adequadas nem da empresa responsável pelo empreendimento, nem dos órgãos envolvidos no licenciamento.>
De acordo com parecer técnico do Ibama, houve degradação da qualidade da água em rios que passam pela Terra Indígena Mãe Maria, com alterações em parâmetros como turbidez, coliformes e presença de metais como ferro, alumínio, manganês e fósforo. O documento também aponta tendência de acidificação da água e redução do oxigênio, o que pode afetar o equilíbrio ambiental.>
Os laudos também confirmaram a presença de mercúrio em todos os peixes analisados, sendo que 18 das 86 amostras apresentaram níveis acima do limite considerado seguro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A maior concentração foi encontrada em espécies predadoras, que acumulam mais substâncias tóxicas ao longo da cadeia alimentar.>
Além disso, o monitoramento identificou níveis de ruído acima do permitido durante as obras da duplicação da ferrovia, concluídas em novembro de 2024, o que também gerou impactos no território indígena.>
O MPF apontou ainda falhas no processo de licenciamento, afirmando que reclamações dos indígenas não foram registradas oficialmente e que os estudos ambientais não foram apresentados à comunidade. O órgão agora cobra transparência e ações imediatas para proteger a saúde e os direitos do povo Gavião.>