Mulher diz ter sido infectada intencionalmente com HIV por namorado; dentista é condenado

Vítima descobriu o diagnóstico após apresentar sintomas persistentes e denunciou o caso às autoridades. Acusado já responde a outros processos semelhantes e voltou a ser preso por risco de novas contaminações

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 09:44

Acusado já responde a outros processos semelhantes e voltou a ser preso por risco de novas contaminações.
Acusado já responde a outros processos semelhantes e voltou a ser preso por risco de novas contaminações. Crédito: Reprodução

Uma mulher de Porto Velho (RO), identificada apenas como Maria para preservar sua identidade, relatou ter vivido o “momento mais triste” de sua vida após descobrir que foi infectada intencionalmente com o vírus HIV pelo então namorado, o dentista Jean José Dunga, de 41 anos.

Segundo a vítima, os primeiros sinais surgiram com febres, dores intensas, infecções recorrentes e cansaço extremo. Ao realizar exames, recebeu o diagnóstico positivo para HIV. Posteriormente, descobriu que o companheiro já era investigado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) por casos semelhantes envolvendo outras mulheres.

De acordo com o MP-RO, Jean sabia do próprio diagnóstico havia cerca de 10 anos e teria deixado de seguir o tratamento antirretroviral. O órgão sustenta que ele transmitiu o vírus de forma intencional a pelo menos quatro mulheres e não descarta a existência de outras vítimas.

Em agosto, o dentista foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e ao pagamento de R$ 50 mil de indenização à vítima. Nesta semana, porém, a Justiça determinou uma nova prisão preventiva em regime fechado após pedido do Ministério Público, que apontou risco de novas contaminações.

Além de lesão corporal gravíssima e perigo de contágio de doença grave, Jean também responde a acusações de estupro em alguns dos processos em andamento.

A defesa do acusado afirmou anteriormente que ele realizava tratamento contra o HIV e acreditava não haver risco de transmissão sexual do vírus. Após a condenação, o advogado optou por não comentar o caso.

Especialistas reforçam que pessoas que seguem corretamente o tratamento antirretroviral podem atingir carga viral indetectável, condição que impede a transmissão do HIV por via sexual.

Com informações do G1