Mulher encontra pérola ao comer ostra em restaurante no litoral de SP

Personal trainer sentiu algo duro ao provar prato em restaurante que participava de festival gastronômico voltado ao uso da espécie invasora; e agora pretende transformar o achado em joia.

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 12:34

“Foi engraçado e foi um presente. Fiquei bem feliz porque eu sou muito da natureza, então eu creio que isso foi um presente de Deus para mim”
“Foi engraçado e foi um presente. Fiquei bem feliz porque eu sou muito da natureza, então eu creio que isso foi um presente de Deus para mim” Crédito: Arquivo Pessoal

Um almoço em Cananéia, no litoral sul de São Paulo, terminou de um jeito que a personal trainer Carina Lisboa, de 41 anos, não esperava. Ao comer uma ostra em um restaurante da cidade, ela sentiu algo duro na boca e acabou encontrando uma pequena esfera que pode ser uma pérola.

O caso aconteceu no domingo (20), no restaurante Ponto das Ostras, no Centro do município. Carina estava com um aluno, a irmã e a cunhada quando percebeu que havia algo estranho no alimento.

Na hora, a primeira suspeita foi de que tivesse quebrado um dente. Ao retirar o objeto e olhar com mais atenção, percebeu que se tratava de uma pequena esfera e brincou com os acompanhantes que poderia ter encontrado uma pérola.

A proprietária do restaurante, Paula Monteiro, também foi chamada para ver o achado e ficou surpresa. De acordo com ela, em 18 anos trabalhando com o estabelecimento, nunca havia presenciado algo semelhante com um cliente.

Ostra usada no prato é considerada exótica

O alimento fazia parte de uma receita preparada para o 1º Festival GastroMangue, realizado em Cananéia. A iniciativa reuniu restaurantes da cidade em torno de pratos feitos com a Saccostrea cucullata, espécie de ostra originária da região do Indo-Pacífico.

A espécie é considerada exótica no litoral brasileiro e vem sendo estudada por pesquisadores devido à sua expansão. Em Cananéia, a presença do molusco é registrada desde 2017. A preocupação está relacionada à disputa por espaço e recursos com espécies nativas.

O festival buscou justamente transformar essa questão ambiental em uma oportunidade gastronômica, além de estimular o debate sobre alternativas para o manejo da espécie.

Pesquisadores da Unesp também desenvolvem estudos na região para acompanhar a presença da Saccostrea cucullata e avaliar estratégias relacionadas ao seu controle.

Carina quer transformar achado em joia

Depois do almoço, Carina levou a história adiante e procurou uma especialista em joias. A avaliação feita a partir das imagens indicou que a esfera pode ser uma pérola em formação.

A personal trainer pretende transformar o achado em um brinco. Segundo especialistas, esse tipo de formação ocorre como uma reação de defesa do molusco. Quando uma partícula ou outro corpo estranho entra em seu organismo, o animal pode depositar camadas de material ao redor do objeto, dando origem à pérola.

A formação pode levar semanas, meses ou até anos, e o resultado nem sempre apresenta o formato perfeitamente arredondado associado às pérolas comercializadas.

Para Carina, o episódio teve um significado especial.

“Foi engraçado e foi um presente. Fiquei bem feliz porque eu sou muito da natureza, então eu creio que isso foi um presente de Deus para mim”, contou.

O que começou como um almoço comum acabou rendendo uma descoberta inesperada, e pode terminar como uma joia feita a partir de uma lembrança bastante incomum de Cananéia.