Publicado em 11 de março de 2026 às 14:23
O caso de estupro coletivo contra uma jovem no Rio de Janeiro e outras violências recentes reacenderam o debate sobre comunidades online que propagam ódio contra mulheres e atraem principalmente jovens na internet.>
Esses grupos fazem parte da chamada “machosfera”, um conjunto de fóruns, perfis e comunidades digitais que defendem ideias como superioridade masculina, submissão feminina e rejeição às pautas de igualdade de gênero.>
Entre os principais núcleos citados por especialistas estão Red Pill, Incel e MGTOW, cada um com características próprias, mas unidos por discursos misóginos.>
O movimento Red Pill se inspira no filme The Matrix. A ideia central é que alguns homens teriam “acordado para a realidade”, acreditando que a sociedade favorece mulheres e prejudica homens.>
Já os Incels, termo que vem de “involuntary celibate” (celibatário involuntário), reúnem homens que dizem ser rejeitados pelas mulheres. Segundo a ONU Mulheres, parte desse grupo acredita ter “direito ao sexo” e culpa as mulheres por sua frustração, o que pode levar à disseminação de discursos de ódio, racismo e incentivo à violência.>
Outro núcleo é o MGTOW (Men Going Their Own Way, ou “homens seguindo seu próprio caminho”). Seus integrantes defendem que os homens devem evitar relacionamentos e se afastar da sociedade por acreditarem que leis e políticas favorecem as mulheres.>
O debate ganhou força novamente após a viralização da trend “Caso ela diga não”, investigada pela Polícia Federal. Nos vídeos, homens simulam gestos românticos e, ao receberem uma negativa fictícia, encenam agressões como socos, chutes ou ataques com armas.>
A PF abriu inquérito para apurar o caso e pediu a remoção de conteúdos e a preservação de dados dos perfis envolvidos.>
A discussão ocorre em meio ao aumento da violência de gênero no Brasil. Em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, o maior número da última década, média de quatro mulheres assassinadas por dia.>
Plataformas digitais afirmam ter removido parte dos conteúdos e dizem reforçar a moderação contra discursos de ódio e incentivo à violência.>