O que se sabe sobre jovem que desapareceu durante trilha no Pico do Paraná

Versões divergentes sobre a trilha, ataques nas redes e buscas complexas marcam o caso do jovem de 19 anos que sumiu no Pico do Paraná

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 10:07

(Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que sumiu no Pico do Paraná, desde a madrugada de 1º de janeiro, quando fazia uma trilha com amigos.)
(Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que sumiu no Pico do Paraná, desde a madrugada de 1º de janeiro, quando fazia uma trilha com amigos.) Crédito: Reprodução - Internet

Equipes de resgate estão mobilizadas para encontrar o jovem desaparecido, Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que sumiu no Pico do Paraná, desde a madrugada de 1º de janeiro, quando fazia uma trilha com amigos.

Após versões divergentes sobre o que ocorreu durante a trilha, o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, mas ainda é cercado de lacunas.

Quem é o jovem desaparecido

Roberto Farias Thomaz tem 19 anos e desapareceu durante uma trilha no Pico do Paraná, conhecido como ponto mais alto da região Sul do país, com 1.877 metros de altitude. O jovem é classificado pela família e amigos como um jovem ativo, sociável e íntimo de desafios físicos.

O jovem, que é estudante de administração na Universidade Federal do Paraná (UFPR), conciliava os estudos com trabalho e atividades físicas. Roberto trabalhava como técnico de segurança do trabalho, atuava como bombeiro civil, socorrista resgatista e se descrevia como consultor financeiro de investimentos, nas redes sociais.

O que aconteceu?

Na noite do dia 31 de dezembro de 2025, Roberto se encontrou com Thayane Smith, também de 19 anos, em um terminal de ônibus de Curitiba (PR). Os dois se conheceram há três meses e resolveram passar o Réveillon juntos no Parque Estadual Pico Paraná, para assistir ao primeiro nascer do sol de 2026 no topo da montanha.

Eles montaram acampamento no ponto conhecido como A1. Segundo o relato inicial de Thayane, por volta das 3h do dia 1º, ela, Roberto e um terceiro trilheiro acordaram para subir até o cume. A subida foi feita durante a madrugada, sem mochilas ou equipamentos pesados, prática comum entre trilheiros experientes, segundo montanhistas. Mas na descida, o jovem Roberto teria passado mal e não conseguiu acompanhar o ritmo do grupo. Mesmo alertada para não deixá-lo sozinho, Thayane seguiu até o acampamento base. Outros trilheiros teriam retornado para tentar localizá-lo, mas não o encontrarão.

Após o desaparecimento de Roberto, Thayane é alvo de ataques e acusações nas redes sociais. Vídeos publicados por ela no Instagram antes do desaparecimento somam milhares de comentários, muitos deles ofensivos.

Versão apresentada por montanhista

O caso ganhou outro contorno após o atleta e corredor de montanha Leandro Pierroti, que participou voluntariamente das buscas, divulgar um vídeo com outra leitura dos fatos. Segundo ele, a narrativa que circula nas redes sociais simplifica o caso e pode atrapalhar as investigações.

Pierroti afirma que a separação entre Roberto e Thayane ocorreu durante a descida, em um trecho de pedras. De acordo com o montanhista, Thayane seguiu à frente com dois corredores de montanha, enquanto um terceiro permaneceu atrás de Roberto. Essa versão, segundo ele, foi confirmada pelos próprios atletas.

Um fato novo é: o corredor contesta a informação de que Roberto estivesse passando mal. “Eles disseram que ele estava cansado, mas não vomitando ou em estado grave”, afirmou. Pierroti explicou ainda que o celular do jovem teria molhado durante a virada do ano e, por isso, foi deixado guardado na barraca montada no acampamento A1.

Investigação e atuação das autoridades

A Polícia Civil do Paraná instaurou investigação formal no sábado (3), após o registro de boletim de ocorrência pela família de Roberto. Até o momento, segundo a corporação, não há indícios de crime.

Buscas e restrição de acesso ao parque

As buscas envolvem equipes do Corpo de Bombeiros, montanhistas experientes, voluntários e o uso de helicópteros, devido à dificuldade de acesso ao terreno, à vegetação fechada e às condições climáticas da região.

As buscas continuam sem prazo para encerramento.

Com informações do portal Metrópoles