Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 18:36
Um levantamento divulgado pelo jornal O Globo mostrou que as Organizações Não-Governamentais (ONGs) beneficiadas pelo repasse recorde de emendas parlamentares de R$ 1,7 bilhão no em 2025, não têm funcionários, sede e capacidade técnica para executar os projetos para os quais foram contratadas.>
Segundo a reportagem, apesar de serem as destinatárias formais do dinheiro, elas atuavam apenas como intermediárias para a liberação das verbas. O modelo contempla ONGs criadas ou acionadas para fornecer os dados cadastrais e viabilizar repasses a terceiros.>
Uma dessas ongs é o Instituto Brasileiro de Responsabilidade Socioambiental, Ciência, Tecnologia e Inovação (Ibratec), que tem como sede uma sala comercial, em Volta Redonda, no Sul Fluminense.>
Ainda que funcione no local, a entidade não reúne condições para prestar os serviços para os quais foi contratada, segundo investigação da Controladoria Geral da União (CGU). Em 2024 e 2025, a ONG recebeu R$ 11,5 milhões em emendas da deputada Dani Cunha (União-RJ) para desenvolver ações para pessoas em situação de vulnerabilidade.>
O objetivo era atender 7.200 mulheres na Baixada Fluminense, mas dados indicam que esse número não seria atingido, uma vez que a entidade não tinha capacidade “suficiente para executar as atividades”, diz o relatório.>
Além de Dani Cunha, o deputado Juninho do Pneu (União-RJ) aportou R$ 6,4 milhões na entidade. Ao analisar os gastos, a CGU apontou “potencial prejuízo” de R$ 493 mil por “superfaturamento” e “inexecução do objeto” na compra de materiais como kimono infantil, bolas de pilates e apitos. Além disso, ao visitarem a entidade, técnicos não encontraram parte dos materiais supostamente adquiridos, apesar de já terem sido pagos. Alunos e professores ouvidos relataram que os equipamentos nunca foram distribuídos.>
Procurados, Dani Cunha e Juninho do Pneu não se manifestaram. A ONG afirma que tem estrutura adequada e que a verba em que foi apontado superfaturamento foi devolvida. “As observações e recomendações apresentadas são vistas como oportunidades legítimas de aprimoramento da gestão e de fortalecimento do terceiro setor. O Ibratec implementou, a partir da assinatura dos termos de colaboração, um processo de fortalecimento estruturado de sua governança”, pontua a entidade.>
Sala só com impressora>
Em outra sala comercial em Fortaleza, está registrada uma ONG que recebeu R$ 15,2 milhões em emendas nos últimos cinco anos para viabilizar projetos sociais. O repasse de verbas para entidades está previsto em lei, mas um ponto chamou a atenção em uma fiscalização sobre o uso de recursos públicos: não havia identificação visual sobre o funcionamento da entidade, empregados trabalhando ou algum outro sinal de atividade. No espaço, só havia uma impressora, mas sem computador.>
O Rio de Janeiro, estado onde a Ibratec atua, concentra as ONGs que mais receberam recursos entre 2019 e 2025, com R$ 951,9 milhões, seguido por Distrito Federal (R$ 606 milhões) e São Paulo (R$ 589,7 milhões).>