Operação bloqueia até R$ 1 bilhão em investigação sobre tráfico e lavagem de dinheiro

Ação da Polícia Civil cumpre 96 mandados em sete unidades da federação e aponta ligação de investigados do Distrito Federal com facções do Rio de Janeiro.

Publicado em 10 de abril de 2026 às 09:00

Operação bloqueia até R$ 1 bilhão em investigação sobre tráfico e lavagem de dinheiro
Operação bloqueia até R$ 1 bilhão em investigação sobre tráfico e lavagem de dinheiro Crédito: Reprodução

Uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (10) para desmontar uma organização criminosa suspeita de abastecer o mercado de drogas na capital federal e movimentar valores milionários por meio de um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. Batizada de Operação Eixo, a ofensiva mobiliza cerca de 200 agentes e cumpre 96 mandados judiciais no Distrito Federal e em outros seis estados.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), o grupo atuava de forma estruturada no envio de drogas entre estados, com ramificações em Goiás, São Paulo, Amazonas, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Ao todo, a Justiça autorizou 40 prisões temporárias e 56 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias, criptoativos, veículos e imóveis. O valor total indisponibilizado pode chegar a R$ 1 bilhão.

A apuração, iniciada em 2024, revelou a existência de dois núcleos principais em atuação no Distrito Federal, ligados a grupos rivais. Um dos investigados é apontado como peça central na logística de envio de drogas vindas de outros estados para abastecer pontos de distribuição na capital.

A investigação também identificou conexões com facções criminosas do Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, essa ligação ficou evidente após a descoberta de que três investigados saíram do DF rumo a uma comunidade carioca, onde teriam recebido treinamento para o uso de armamento pesado, incluindo fuzis.

No braço financeiro do esquema, os investigadores encontraram uma rede de lavagem de dinheiro baseada em empresas de fachada, contas bancárias de terceiros, saques em espécie e movimentações com criptomoedas. Empresas registradas em estados diferentes, muitas sem estrutura compatível com os valores movimentados, eram usadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

Em um dos casos apurados, apenas uma conta bancária movimentou mais de R$ 79 milhões em um curto intervalo de tempo, o que reforçou as suspeitas sobre a dimensão nacional do esquema.

As apurações também alcançaram suspeitos estrangeiros que, segundo a polícia, teriam papel relevante na engrenagem financeira e logística do grupo. Entre eles estão dois cidadãos colombianos e um venezuelano. Um dos colombianos já havia sido alvo de investigação da Polícia Federal, constava em difusão vermelha da Interpol e foi preso recentemente na Espanha. Outro está detido em seu país de origem, enquanto o venezuelano foi localizado em Santa Catarina.

A Operação Eixo é tratada pela PCDF como uma das principais ofensivas recentes contra o tráfico interestadual e a lavagem de capitais com reflexos diretos na segurança pública do Distrito Federal.