Operação contra vazamentos derruba agentes que blindavam ex-banqueiro

Investigação revela que grupo criminoso usava senhas de policiais para monitorar até o FBI e proteger o dono do Banco Master.

Publicado em 14 de maio de 2026 às 10:24

PF apreende eletrônicos em operação contra armazenamento de material de violência sexual em Minas
PF apreende eletrônicos em operação contra armazenamento de material de violência sexual em Minas Crédito: Reprodução/PF

A Polícia Federal virou o holofote para dentro de casa nesta quinta-feira (14). A sexta fase da Operação Compliance Zero mirou uma rede de corrupção envolvendo seus próprios integrantes, acusados de vazar informações sigilosas para proteger o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma delegada foi afastada do cargo após passar por busca e apreensão, e um agente da ativa acabou preso. A ofensiva reflete o esforço das instituições para estancar a espionagem interna e garantir que ninguém, por mais poderoso que seja, esteja acima da lei.

O esquema funcionava como uma verdadeira agência privada de inteligência a serviço de Vorcaro. De acordo com as investigações que começaram a vir à tona no início deste ano, o empresário contratou um grupo focado em monitorar adversários, vigiar passos alheios e antecipar qualquer movimento da polícia.

A proximidade de Vorcaro com o esquema era tão direta que a própria PF descobriu que ele sabia de operações antes delas acontecerem. O ex-banqueiro chegava a fazer anotações detalhadas sobre os procedimentos policiais em andamento e as autoridades que estavam no seu encalço. Além dos servidores da ativa punidos nesta quinta, dois agentes aposentados também foram alvos de mandados de busca.

No centro da engrenagem operacional estava Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelos comparsas como "Sicário". Ele era o chefe da "A Turma", o codinome do grupo criminoso.

Para conseguir os relatórios, Mourão usava uma tática ousada: conseguia credenciais e senhas funcionais de terceiros para invadir bancos de dados restritos. Com esses acessos em mãos, o grupo não apenas burlava o sigilo da própria PF e do Ministério Público Federal (MPF), mas ia além. Em sua decisão, o ministro André Mendonça destacou que a audácia dos suspeitos permitiu que eles espionassem sistemas de organismos internacionais de peso, como a Interpol e o FBI.