Publicado em 9 de junho de 2026 às 14:07
Neste terça-feira (9), uma operação do Ministério Público de São Paulo prendeu um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio MP suspeitos de atuar como infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo as investigações, eles teriam participado de um plano para matar um promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e de um esquema de extorsão que utilizava informações sigilosas para cobrar dinheiro de investigados.>
Batizada de Operação Infiltrados, a ação cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Entre os alvos também está um policial penal.>
De acordo com o Ministério Público, o ex-estagiário, atualmente advogado, teria utilizado bancos de dados e sistemas internos da instituição para identificar criminosos com alto poder econômico. A partir dessas informações, ele supostamente exigia pagamentos em troca de proteção em investigações conduzidas pelo Gaeco. O esquema contaria com o apoio do policial penal e do ex-policial civil presos na operação.>
Já o chefe de investigadores, que atuava na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, é suspeito de repassar informações privilegiadas a criminosos em troca de dinheiro. As apurações indicam que ele teria se reunido com um dos responsáveis pelo plano para assassinar o promotor do Gaeco poucos dias antes de uma operação que acabou frustrando o atentado.>
Durante as investigações, o Gaeco encontrou vídeos que registrariam encontros entre os suspeitos às vésperas da Operação Pronta Resposta, realizada em agosto do ano passado para desarticular uma organização criminosa ligada ao PCC que planejava atacar o promotor Amauri Silveira Filho.>
A Operação Infiltrados é resultado de desdobramentos de duas investigações anteriores. A primeira, chamada Operação Pronta Resposta, apurou a atuação de integrantes do PCC envolvidos em diversos crimes e em um suposto plano de atentado contra o promotor do Gaeco. A segunda, a Operação Off White, foi deflagrada em outubro de 2025 para combater um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois traficantes apontados entre os mais procurados do país, incluindo Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como Mijão ou Xixi.>
Outro foco da investigação revelou que integrantes da facção estariam sendo vítimas de extorsão praticada por pessoas com acesso a informações privilegiadas. Segundo o Gaeco, o ex-estagiário teria se infiltrado propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas para obter acesso a dados sigilosos e utilizá-los para fins criminosos.>
Entre as provas reunidas está a análise de um celular apreendido com o empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como "Dragão", preso no ano passado por suspeita de envolvimento no plano contra o promotor. No aparelho, investigadores encontraram uma cobrança de R$ 500 mil para impedir que informações sobre suas atividades fossem encaminhadas ao Gaeco.>
As investigações apontaram que a pessoa responsável pela cobrança se apresentava como moradora de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, mas seria, na verdade, um advogado que trabalhava em uma Promotoria Criminal do Ministério Público em Campinas e acessava processos relacionados à organização criminosa e a outros possíveis alvos de extorsão.>
Até o momento, os investigadores não confirmaram se algum dos alvos chegou a efetuar pagamentos. A operação desta terça-feira busca reunir novas provas para esclarecer a extensão do esquema e a participação de cada suspeito.>
Em nota, o Ministério Público afirmou que os fatos seguem sob investigação e destacou que a atuação conjunta das polícias Militar, Civil e Penal tem o objetivo de garantir a apuração dos casos e o fortalecimento das instituições públicas.>