Operação revela esquema milionário que abastecia o CV e o Bonde do Maluco com armas

Operação foi deflagrada em quatro estados; investigação aponta movimentação financeira superior a R$ 100 milhões.

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 13:59

Operação Mercador 
Operação Mercador  Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (28) a Operação Mercador, que investiga um grupo suspeito de usar documentos falsos para obter registros de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), comprar armas de forma legal e depois repassá-las ao mercado clandestino. Segundo a investigação, parte do armamento teria sido destinada a integrantes do Comando Vermelho (CV) e do Bonde do Maluco (BDM).

A ofensiva é realizada pelas polícias civis do Rio de Janeiro e da Bahia e cumpre mandados em quatro estados. Na Bahia, as ações ocorrem em Salvador e Lauro de Freitas. No Rio de Janeiro, os agentes estão na capital e em Niterói. Também há diligências em Fortaleza e Icapuí, no Ceará, e em Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Até a atualização divulgada durante a operação, oito pessoas haviam sido presas. As equipes apreenderam cinco veículos, nove celulares, três notebooks, três armas de fogo, munições, documentos e aproximadamente R$ 5 mil em dinheiro. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores relacionados aos investigados.

De acordo com a polícia, os suspeitos recorriam a documentação fraudulenta para conseguir os Certificados de Registro (CR) necessários à atividade de CAC. Entre as irregularidades identificadas estão falsificações ou adulterações em documentos como laudos psicológicos, comprovantes de residência e informações sobre vínculos profissionais.

Depois de obter os registros, o grupo conseguia comprar armas dentro dos procedimentos legais. A suspeita é que, após a aquisição, os armamentos fossem retirados da circulação regular e vendidos ilegalmente.

A investigação identificou fuzis, carabinas e pistolas de diferentes calibres relacionados ao esquema. Parte dessas armas, segundo os investigadores, acabou localizada com integrantes de organizações criminosas.

A polícia afirma que o grupo mantinha uma divisão de tarefas. Enquanto alguns integrantes cuidavam da documentação e da aquisição das armas, outros atuavam no transporte, na distribuição e na comercialização dos equipamentos.

Os investigadores também rastrearam a movimentação financeira dos suspeitos. Empresas ligadas aos alvos apresentavam, segundo a apuração, operações incompatíveis com as atividades declaradas, além de mudanças societárias e transações consideradas suspeitas.

Os dados analisados apontam que a estrutura movimentou mais de R$ 100 milhões. Um dos principais alvos foi localizado em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e é apontado pela polícia como um dos responsáveis pela articulação do esquema.

A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e descobrir a extensão da rede responsável por retirar armas do mercado legal e levá-las até organizações criminosas.