Pai e filho são expulsos de condomínio após anos de violência e denúncias

Justiça do Distrito Federal determinou que os dois deixem o local, onde são acusados de agressões, maus-tratos contra animais, assédio e manutenção de um ferro-velho irregular.

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 14:10

Justiça do Distrito Federal determinou que os dois deixem o local, onde são acusados de agressões, maus-tratos contra animais, assédio e manutenção de um ferro-velho irregular.
Justiça do Distrito Federal determinou que os dois deixem o local, onde são acusados de agressões, maus-tratos contra animais, assédio e manutenção de um ferro-velho irregular. Crédito: Reprodução 

Nesta segunda-feira (31), a Justiça do Distrito Federal determinou a expulsão de Vinícius de Oliveira Scucato, de 51 anos, e João Vitor Mendes Scucato, de 21, do Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. Pai e filho são acusados de acumular, ao longo de mais de uma década, episódios de violência, ameaças, maus-tratos contra animais, assédio sexual e outras infrações que, segundo a decisão, tornaram inviável a convivência com os demais moradores.

O condomínio é o mesmo onde mora o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar no local. A decisão foi tomada após a administração do residencial ingressar com uma ação na Justiça. Segundo o processo, o histórico de ocorrências inclui condenações anteriores e multas aplicadas pelo próprio condomínio, que chegaram ao limite de dez vezes o valor da taxa mensal.

O juiz responsável pelo caso considerou que as medidas adotadas anteriormente não foram suficientes para impedir novos episódios. Entre os relatos analisados estão agressões com facão e corrente de ferro, tentativa de atropelamento de um funcionário, ataques contra trabalhadores, ameaças a moradores e acusações de assédio verbal contra uma adolescente.

As ocorrências também envolvem animais. Em 2015, uma operação policial encontrou 81 cães em condições consideradas insalubres, muitos deles desnutridos e doentes, em um canil clandestino que, segundo o processo, era utilizado para exploração comercial de filhotes. Vinícius também teria mantido uma criação irregular de galos, patos e perus, provocando barulho e atraindo pombos para a região.

Outro problema apontado no processo é a manutenção de uma oficina e de um ferro-velho dentro das residências ocupadas por Vinícius. Desde 2010, segundo a decisão, veículos sucateados, carcaças, peças automotivas e resíduos industriais eram acumulados no local. A atividade teria provocado sujeira e contribuído para a presença de pragas e insetos.

O histórico de conflitos inclui ainda um episódio de 2015, quando Vinícius teria atacado um vizinho com um facão durante uma discussão. A vítima conseguiu se proteger com a mão, mas ficou com sequelas em um dos dedos. Na sequência, o homem também teria sido atingido no rosto por um rodo de madeira, que provocou a quebra de um dente.

Em 2020, João Vitor também teria se envolvido em uma agressão contra um carteiro. De acordo com o processo, o jovem, incentivado pelo pai, atirou uma pedra e um bloco de concreto contra o trabalhador, que estava em uma motocicleta. O carteiro afirmou ainda que um cachorro teria sido solto contra ele e relatou ter sido alvo de ofensas homofóbicas recorrentes durante as entregas.

Um dos episódios mais graves ocorreu em 2024. Pai e filho são acusados de agredir um vizinho no meio da rua. Segundo o processo, João Vitor imobilizou a vítima com um golpe conhecido como “mata-leão”, enquanto Vinícius teria usado uma corrente de ferro para golpeá-la repetidamente na cabeça e no rosto. A agressão só teria terminado depois da intervenção de um policial militar.

No mesmo ano, Vinícius também teria avançado de carro contra um funcionário do condomínio. O trabalhador precisou se jogar para o lado para evitar ser atropelado, enquanto o veículo passava por cones de sinalização.

Em 2025, surgiu outra acusação envolvendo a família de um vizinho. Segundo o processo, Vinícius escalava o muro de sua residência para filmar e provocar os moradores. Um dos vizinhos relatou ainda que o homem teria feito comentários de cunho sexual direcionados à filha adolescente dele.

Mesmo durante o processo judicial, segundo a decisão, novos episódios foram registrados. Em 2026, após receber uma liminar que previa multa de R$ 2 mil, Vinícius teria ido até a administração do condomínio para filmar funcionários, provocar tumulto e constranger trabalhadores que estavam no atendimento.

Um ex-vizinho ouvido pela reportagem, que preferiu não se identificar, afirmou que era comum haver conflitos envolvendo pai e filho e que, depois das discussões, eles registrariam boletins de ocorrência contra as próprias pessoas envolvidas nas brigas. O homem também relatou ter sido intimidado por Vinícius depois de impedir que seus filhos se aproximassem de João Vitor.

Apesar da expulsão, pai e filho continuam sendo proprietários dos imóveis. A decisão determina apenas que eles não podem mais morar ou frequentar o condomínio. Os dois têm 30 dias para cumprir a ordem judicial. Caso não deixem o local dentro do prazo, a Justiça autorizou o uso de força policial para retirá-los. Também foi estabelecida multa diária de R$ 2 mil em caso de descumprimento.

A defesa de Vinícius de Oliveira Scucato e João Vitor Mendes Scucato foi procurada pela reportagem, mas não havia se manifestado até a publicação. O síndico do Condomínio Solar de Brasília também foi procurado e optou por não comentar o caso.