Paquistão fala em guerra aberta após troca de bombardeios com o Afeganistão

Escalada militar entre os dois países ameaça cessar-fogo mediado pelo Catar e aumenta risco para civis na região de fronteira.

Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 08:08

Paquistão fala em guerra aberta após troca de bombardeios com o Afeganistão
Paquistão fala em guerra aberta após troca de bombardeios com o Afeganistão Crédito: Reprodução

A tensão entre Paquistão e Afeganistão atingiu um novo e perigoso patamar nesta quinta-feira (26). Após dias de ataques e contra-ataques na região de fronteira, o ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, declarou que a paciência de Islamabad chegou ao limite e classificou o momento como de “guerra aberta” entre os dois países.

O estopim da crise envolve o Tehreek-e-Taliban Pakistan, conhecido como TTP, grupo insurgente que atua contra o governo paquistanês. Autoridades do Paquistão acusam o grupo de usar território afegão como refúgio para planejar e lançar ataques. O governo do Afeganistão, comandado pelo Talibã, nega que ofereça abrigo a militantes.

No fim de semana, forças paquistanesas realizaram bombardeios contra supostos acampamentos do TTP e também do Estado Islâmico em solo afegão. Em resposta, o Talibã afirmou que reagiria de forma proporcional. A promessa saiu do discurso para a prática quando o Afeganistão anunciou uma ofensiva contra posições militares do Paquistão ao longo da fronteira, classificando a ação como retaliação.

Poucas horas depois, segundo o porta-voz do governo afegão, Zabihullah Mujahid, o Paquistão lançou novos ataques aéreos contra Cabul e outras cidades. Até o momento, não há informações confirmadas sobre vítimas.

Em publicação nas redes sociais, Khawaja Asif acusou o Talibã de transformar o Afeganistão em abrigo para militantes internacionais e criticou a retirada de direitos básicos da população, especialmente das mulheres. O ministro afirmou que o Paquistão tentou resolver o impasse por meio do diálogo, mas que agora adotará uma postura mais firme e decisiva diante do que considera ameaças à segurança nacional.

Do lado afegão, o discurso também foi duro. O porta-voz do Talibã declarou que, caso grandes centros como Cabul sejam atacados novamente, haverá resposta contra cidades estratégicas do Paquistão. Apesar do tom, ele afirmou que o Afeganistão não tem interesse em ampliar o conflito, mas reagirá a qualquer agressão.

A nova onda de confrontos coloca em risco o cessar-fogo mediado pelo Catar, que vinha sendo mantido com episódios isolados de violência. Tentativas de negociação realizadas em novembro não resultaram em um acordo formal, deixando a situação vulnerável a novas crises.

Diante da escalada, a Organização das Nações Unidas pediu que os dois governos priorizem a proteção de civis e retomem o caminho diplomático. O temor é que a intensificação dos ataques agrave ainda mais a instabilidade em uma região historicamente marcada por conflitos e disputas armadas.