Pastor ataca desfile em homenagem à Lula e faz declarações polêmicas em convenção religiosa

Religioso da Assembleia de Deus, reagiu ao enredo da Acadêmicos de Niterói e afirmou que escola desrespeitou a fé cristã.

Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 09:11

Pastor ataca desfile em homenagem à Lula e faz declarações polêmicas em convenção religiosa
Pastor ataca desfile em homenagem à Lula e faz declarações polêmicas em convenção religiosa Crédito: Reprodução/Assembleia de Deus de Perus

Durante o encerramento de uma convenção da Assembleia de Deus, realizada na segunda-feira (16), em Perus, interior de São Paulo, o pastor Elias Cardoso criticou duramente a apresentação que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em discurso inflamado, o líder religioso acusou a agremiação de desrespeitar símbolos e valores cristãos. Ele afirmou que os responsáveis pelo desfile “mexeram com a Igreja” e declarou que Deus daria uma resposta àquilo que classificou como provocação. Em um dos trechos mais contundentes, o pastor disse que integrantes da escola ainda “lembrariam” do episódio quando enfrentassem doenças graves, citando câncer na garganta.

As falas ocorreram um dia após a estreia da escola no Grupo Especial do Rio de Janeiro. Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula operário do Brasil”, a Acadêmicos de Niterói levou à avenida uma narrativa sobre a trajetória política e social do presidente. O desfile contou com a presença de Lula, acompanhado da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, além de ministros e aliados.

Inicialmente, havia a previsão de que Janja participasse diretamente da apresentação, mas a ideia foi descartada. A decisão ocorreu em meio a avaliações sobre possíveis questionamentos na Justiça Eleitoral e críticas da oposição, que interpretou o samba-enredo como promoção política antecipada.

Outro ponto que gerou debate foi a ala intitulada “Neoconservadores em conservada”. A fantasia representava o modelo de “família tradicional”, casal heterossexual e filhos, dentro de latas, além de incluir referências visuais a evangélicos, militares e mulheres brancas. A alegoria foi vista por críticos como uma provocação a setores conservadores.

Durante a convenção, Elias Cardoso também afirmou que a Igreja não precisa recorrer ao Ministério Público para reagir a ataques, sustentando que a própria fé seria suficiente para responder às ofensas. Ele descreveu a instituição religiosa como protegida por uma instância superior, a quem atribuiu o julgamento final.