Publicado em 3 de junho de 2026 às 11:31
Nesta quarta-feira (03), a Polícia Civil do Rio de Janeiro colocou as cartas na mesa e deflagrou uma operação para sufocar um esquema de extorsão que transformou itens básicos da mesa dos cariocas em ferramentas de opressão financeira.>
A ação, comandada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), cumpriu diversos mandados de busca e apreensão em bairros das Zonas Norte e Oeste da capital, além de mirar ramificações na Baixada Fluminense. O objetivo principal das equipes é recolher provas contundentes, como celulares, computadores e documentos contábeis, que ajudem a mapear o tamanho real da frota financeira desse grupo e interromper o fluxo de dinheiro ilícito.>
As investigações apontam que o grupo criminoso agia sufocando o comércio local ao impor um monopólio forçado. Os comerciantes eram obrigados a comprar pão e farinha exclusivamente de fornecedores vinculados à milícia e a uma facção criminosa atuante na região. Para piorar a situação, os produtos eram vendidos por valores muito acima da média do mercado, e as vítimas eram coagidas a adquirir volumes exagerados de mercadoria, muito além do que a demanda real de seus negócios exigia.>
Para dar uma aparência de legalidade ao negócio e despistar as autoridades, os criminosos utilizavam uma empresa de fachada estruturada especificamente para o esquema. Era por meio dela que a distribuição dos alimentos acontecia e a movimentação financeira circulava de forma camuflada. Quem tentava recusar o "serviço" ou buscar fornecedores mais baratos enfrentava ameaças diretas de retaliação, prejuízos financeiros forçados e até ordens expressas para fechar as portas definitivamente.>
Segundo os investigadores, essa tática vai muito além do lucro financeiro imediato com a venda dos insumos. Controlar o abastecimento do comércio local é uma estratégia crucial para que milicianos e traficantes fortaleçam seu domínio territorial, asfixiando a economia dos bairros para se tornarem os donos absolutos do poder na região. Com o material apreendido nesta ação, a Polícia Civil agora foca em rastrear toda a contabilidade da organização para identificar cada envolvido e cortar de vez a linha de oxigênio que alimenta o crime organizado no estado.>