Pediatras alertam para riscos graves do uso de canetas emagrecedoras em crianças

Sociedade Brasileira de Pediatria aponta perigos do uso sem acompanhamento

Publicado em 24 de agosto de 2026 às 16:57

Comunicado adverte que o uso inadequado desses remédios (da classe dos agonistas do receptor GLP-1) pode aumentar significativamente a frequência e a gravidade de reações adversas.
Comunicado adverte que o uso inadequado desses remédios (da classe dos agonistas do receptor GLP-1) pode aumentar significativamente a frequência e a gravidade de reações adversas. Crédito: Reprodução/Internet

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta contra o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos conhecidos popularmente como "canetas emagrecedoras" por crianças e adolescentes. O comunicado adverte que o uso inadequado desses remédios (da classe dos agonistas do receptor GLP-1) pode aumentar significativamente a frequência e a gravidade de reações adversas. Para combater a banalização do tratamento e o estigma da obesidade, a entidade recomenda substituir o termo popular por "medicamentos para tratar a obesidade".

Entre os principais perigos físicos associados ao uso sem supervisão profissional estão o déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação, distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula. Além disso, a SBP chama a atenção para os impactos psicológicos: o uso com finalidade puramente estética pode funcionar como gatilho para transtornos alimentares, tais como anorexia e bulimia, além de desencadear quadros depressivos e de ansiedade relacionados à imagem corporal.

A SBP ressalta que tais medicamentos possuem indicações específicas, como o tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2, e que sua eficácia e segurança em adolescentes são comprovadas cientificamente quando há critérios adequados e associação com mudanças no estilo de vida. O grande problema identificado atualmente pela entidade médica está na banalização do uso, impulsionada principalmente pelas redes sociais. O comunicado reforça que, mesmo com o diagnóstico de obesidade ou diabetes, a prescrição médica não é automática e exige uma avaliação criteriosa de tratamentos anteriores e da dinâmica familiar.

Por fim, os pediatras contraindicam de forma absoluta a utilização de fórmulas clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro na Anvisa. O uso das substâncias também é proibido para gestantes, lactantes e pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou de neoplasia endócrina múltipla tipo 2.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.