Publicado em 30 de abril de 2026 às 10:22
Pela primeira vez na história recente, o Brasil deixou os Estados Unidos para trás em um dos indicadores mais importantes da democracia: o ranking de liberdade de imprensa. De acordo com o relatório da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgado nesta quinta-feira (30), o Brasil agora ocupa a 52ª posição, enquanto os norte-americanos caíram para o 64º lugar. Esse resultado marca uma reviravolta expressiva para o país, que esteve na temida zona vermelha em 2021 e agora consolida uma melhora constante que vai na contramão de boa parte do continente.>
O levantamento avalia as condições de trabalho, a segurança e a autonomia dos jornalistas em 180 países. Desde 2022, o Brasil subiu impressionantes 58 posições. Para se ter uma ideia, naquele ano, o país figurava na 111ª colocação, um patamar considerado de "situação difícil". Atualmente, embora ainda seja classificado como um cenário sensível, o território brasileiro demonstra uma trajetória de recuperação notável. Essa realidade é um respiro em comparação ao restante da América Latina, que tem sofrido uma queda expressiva nos últimos tempos, impulsionada pelo aumento da violência gerada pelo crime organizado e por tensões políticas.>
Por outro lado, os Estados Unidos seguem em um processo de declínio preocupante. Este é o quarto ano consecutivo que a nação norte-americana perde posições no ranking. Em 2022, o país ocupava um lugar relativamente confortável na 42ª colocação. No ano passado, já havia recuado para a 57ª posição e, agora, chega ao 64º lugar. Segundo a RSF, essa piora é resultado de uma crise de confiança pública, das dificuldades financeiras enfrentadas pelos veículos de comunicação e, mais recentemente, da retórica do governo de Donald Trump. O relatório aponta que o uso da máquina pública contra a imprensa tem gerado ataques diretos a profissionais durante manifestações, o que é descrito como uma das maiores crises para a liberdade de expressão na história moderna do país.>
O panorama ao redor do mundo, de modo geral, é de extremo alerta. A organização aponta que este é o pior nível de liberdade de imprensa registrado no planeta nos últimos 25 anos. Mais da metade dos países analisados enfrenta hoje uma situação considerada difícil ou muito grave, onde o trabalho de apuração é sufocado pela hostilidade política e pela criação de leis que limitam o direito à informação. Para ilustrar essa mudança, a RSF destaca que, no ano de 2002, cerca de 20% da população mundial vivia em nações com um ambiente favorável para o jornalismo. Hoje, esse índice despencou para apenas 1%.>
Apenas sete países mantêm a classificação de "boa situação", com a Noruega liderando a lista pelo topo, seguida por Holanda, Estônia, Dinamarca e Suécia. Na base da pirâmide, nações como Eritreia, Coreia do Norte, China, Irã e Arábia Saudita continuam nos últimos lugares. O cenário fica ainda mais crítico com as guerras em locais como Sudão e Israel, onde o número de vítimas fatais entre profissionais de imprensa aumentou consideravelmente, lembrando o peso e o perigo do trabalho de informar em tempos de conflito.>