Perito descarta acidente doméstico na morte de Henry Borel

Responsável pela necrópsia afirmou ao júri que não encontrou objetos capazes de causar a lesão que matou a criança

Publicado em 1 de junho de 2026 às 15:48

Responsável pela necrópsia afirmou ao júri que não encontrou objetos capazes de causar a lesão que matou a criança
Responsável pela necrópsia afirmou ao júri que não encontrou objetos capazes de causar a lesão que matou a criança Crédito: Redes Sociais

Nesta segunda-feira (1º), durante o oitavo dia de julgamento do caso Henry Borel, o perito legista Leonardo Huber Tauil afirmou que não identificou sinais de que a morte do menino, de 4 anos, tenha sido causada por um acidente doméstico. O especialista, responsável pela necrópsia e pelo laudo oficial do Instituto Médico-Legal (IML), prestou depoimento ao Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Durante o interrogatório, Tauil foi questionado sobre a reprodução simulada realizada para tentar reconstruir a dinâmica dos fatos. Segundo o perito, a análise não encontrou móveis ou objetos na residência onde Henry vivia que pudessem provocar, de forma espontânea, a lesão hepática apontada como causa da morte.

De acordo com o especialista, não foi identificado no imóvel nenhum item compatível com um impacto capaz de causar a laceração no fígado constatada nos exames.

A posição apresentada por Tauil reforça o entendimento que ele já havia defendido em 2022, durante o primeiro julgamento do caso. Na ocasião, o perito sustentou que a principal hipótese para a morte da criança era a de agressões sofridas pelo menino, descartando que os ferimentos tivessem sido provocados por manobras de ressuscitação.

No julgamento desta semana, Monique Medeiros, mãe de Henry, deixou a sala do júri durante a exibição de fotografias do corpo da criança. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), ela já havia se retirado do plenário pelo mesmo motivo na última sexta-feira (29).

A expectativa é que ainda sejam ouvidas testemunhas ligadas à defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. Entre elas está o perito criminal federal Jefferson Evangelista Correa, que deve apresentar sua avaliação técnica sobre a perícia realizada no caso.

Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, em um apartamento na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde morava com a mãe e o padrasto. Na época, os dois afirmaram que encontraram a criança desacordada. O menino foi levado ao hospital, mas a equipe médica constatou a morte causada por hemorragia interna e laceração hepática.

Segundo o Ministério Público, Dr. Jairinho foi responsável pelas agressões que levaram à morte da criança, enquanto Monique Medeiros teria sido omissa diante das violências sofridas pelo filho.

Atualmente, Jairinho responde pelos crimes de homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique é ré por homicídio por omissão, qualificado por motivo torpe.