Publicado em 31 de julho de 2026 às 08:53
A Polícia Federal instaurou um inquérito para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negociações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal no Brasil.>
A abertura da investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da Polícia Federal. O procedimento tramita sob sigilo, o que restringe a divulgação de detalhes sobre as diligências e os elementos reunidos até o momento.>
De acordo com informações divulgadas por veículos da imprensa nacional, a apuração busca esclarecer se Lulinha utilizou sua influência para beneficiar empresas interessadas em projetos ligados à cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. Os investigadores analisam possíveis contatos com agentes públicos e a eventual atuação do empresário em favor de interesses privados dentro da estrutura do governo federal.>
Entre as empresas citadas na investigação está a 'World Cannabis', que teria ligação com o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS". Antunes é investigado em outras operações da Polícia Federal que apuram supostos esquemas de corrupção e fraudes envolvendo contratos públicos.>
Além de Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e o próprio Antônio Carlos Camilo Antunes também são investigados no mesmo procedimento. A Polícia Federal pretende analisar documentos, mensagens, registros telefônicos e movimentações financeiras para verificar se houve prática de tráfico de influência ou favorecimento indevido em processos relacionados ao setor de cannabis medicinal.>
Até o momento, a investigação está em fase inicial e não há denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Federal. A abertura do inquérito representa apenas o início da apuração, que tem como objetivo reunir provas para confirmar ou afastar as suspeitas.>
Em nota divulgada após a revelação da investigação, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que recebeu a notícia com surpresa e classificou o procedimento como uma "pescaria probatória", expressão utilizada para definir investigações que, segundo os advogados, são abertas sem indícios concretos da prática de crimes.>
Os representantes do empresário também sustentam que há motivação política por trás da medida e afirmam que Lulinha nunca utilizou qualquer influência junto ao governo para beneficiar empresas privadas. Segundo a defesa, o empresário está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários e confia no arquivamento do caso após a conclusão das investigações.>
Este é mais um desdobramento das investigações relacionadas ao chamado caso do “Careca do INSS" que já resultou em operações da Polícia Federal para apurar um suposto esquema de tráfico de influência e favorecimento de empresas em diferentes áreas da administração pública.>
Nos próximos meses, a expectativa é de que a Polícia Federal avance na coleta de provas e na oitiva de testemunhas. Somente após a conclusão dessa fase, o Ministério Público Federal decidirá se há elementos suficientes para apresentar denúncia à Justiça ou solicitar o arquivamento do inquérito.>
Enquanto isso, prevalece o princípio constitucional da presunção de inocência, uma vez que os investigados ainda não foram denunciados nem condenados pela Justiça.>
Texto por Pedro Moraes, com a supervisão de Danielle Zuquim.>