PF apura atuação de operador financeiro em esquema bilionário ligado ao Banco Master

Ascendino Madureira Garcia é apontado como peça-chave na engenharia de fundos suspeitos de desviar recursos.

Publicado em 4 de fevereiro de 2026 às 13:34

Conforme a PF, os investimentos apresentariam nível de risco elevado incompatível com a finalidade previdenciária do fundo.
Conforme a PF, os investimentos apresentariam nível de risco elevado incompatível com a finalidade previdenciária do fundo. Crédito: Divulgação PF

A Polícia Federal avançou nas investigações sobre um suposto esquema de desvios financeiros envolvendo o Banco Master e colocou no centro da apuração o nome de Ascendino Madureira Garcia, conhecido como Dino. Segundo os investigadores, ele teria desempenhado papel estratégico na estruturação de operações financeiras que possibilitaram a movimentação irregular de valores bilionários por meio de fundos de investimento.

De acordo com a apuração, Ascendino atuava como operador técnico ligado ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco. A PF sustenta que ele foi responsável por desenhar mecanismos contábeis e financeiros usados para transferir recursos da instituição, valendo-se de fundos com lastro considerado frágil ou de valor duvidoso. As informações que embasam o inquérito têm como base relatórios do Banco Central e do Ministério Público Federal em São Paulo.

Funcionário da Master Corretora desde 2018, Ascendino foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga o uso indevido de fundos de investimento para escoamento de dinheiro do banco. Antes disso, ele já havia passado pela gestora Foco DTVM, hoje chamada Sefer Investimentos, empresa que também entrou no radar da Polícia Federal na mesma operação.

As investigações apontam que, a partir de 2023, cerca de R$ 1,8 bilhão teriam sido transferidos do Banco Master para empresas ligadas à família Vorcaro, por meio de fundos estruturados e administrados dentro desse circuito financeiro. A suspeita é de que essas operações tenham servido para ocultar a real destinação dos recursos.

O nome de Ascendino não surge pela primeira vez em investigações de grande porte. Ele responde a processo oriundo da Operação Fundo Fake, deflagrada em 2020, que apura crimes como organização criminosa, gestão fraudulenta e corrupção. Além disso, em 2021, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por suposto envolvimento em um esquema de pagamento de propinas associado à Odebrecht, no contexto da Lava Jato. Nenhum desses casos teve julgamento definitivo até o momento.

Em decisão recente, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, citou Ascendino como possível intermediário e executor técnico de ajustes contábeis e movimentações internas dentro do grupo investigado. Para os investigadores, ele teria atuado como elo operacional entre os interesses empresariais e a execução prática das operações financeiras.

As defesas dos investigados rebatem as acusações e afirmam que Ascendino não exercia função de gestão, tampouco tinha poder de decisão sobre os fundos ou sobre o banco. Segundo os advogados, ele apenas cumpria atribuições técnicas e não participou de qualquer ato ilícito.

A investigação segue em curso, sob sigilo, e novas diligências não estão descartadas pela Polícia Federal.