Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 15:30
Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema que teria inflado em R$ 45,5 bilhões o patrimônio de empresas ligadas à família de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, por meio do uso de créditos de carbono considerados fictícios. O caso levanta alerta sobre falhas na fiscalização de ativos ambientais no Brasil.>
De acordo com a apuração, o esquema envolvia a empresa Global Carbon, que surgiu oficialmente como uma pequena loja de armarinhos, com capital social de apenas R$ 100, e em cerca de três anos passou a ser avaliada em R$ 31 bilhões. A valorização acelerada chamou a atenção dos investigadores.>
A suposta base para essa expansão financeira era a preservação ambiental de uma fazenda localizada na Amazônia. No entanto, segundo o Incra, a área apontada como garantia pertence à União e é destinada à reforma agrária, o que significa que não poderia gerar créditos de carbono válidos. Na prática, os ativos usados para sustentar os valores declarados não existiriam do ponto de vista jurídico.>
Para a Polícia Federal, o caso expõe uma fragilidade estrutural no sistema de auditoria de ativos ambientais. Sem fiscalização física rigorosa e mecanismos eficazes de verificação, títulos considerados verdes podem ser usados para criar fortunas no papel, induzir investidores ao erro e distorcer a real situação financeira de grandes grupos econômicos.>