PF deve abrir 3 inquéritos para apurar financiamento do filme ‘Dark Horse’

Investigações miram repasse milionário de R$ 61 milhões e suposto custeio de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Publicado em 26 de junho de 2026 às 16:35

Jim Caviezel no pôster do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Jim Caviezel no pôster do filme 'Dark Horse', sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Crédito: Divulgação/Dark Horse

A Polícia Federal (PF) deve instaurar, nos próximos dias, três inquéritos distintos para investigar suspeitas de irregularidades no financiamento da cinebiografia "Dark Horse", que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) definir os ministros que atuarão como relatores dos casos, permitindo que os investigadores avancem sobre diferentes frentes de apuração que envolvem desde repasses bancários internacionais até o uso de recursos públicos por parlamentares.

Uma das frentes de investigação, que terá como relator o ministro André Mendonça, foca no repasse de R$ 61 milhões realizado por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O montante teria sido enviado a um fundo responsável pela produção nos Estados Unidos por meio de uma empresa já suspeita de integrar um sistema de fraudes bancárias. A Polícia Federal busca confirmar o valor total e descobrir se o repasse foi condicionado a favores políticos prestados pelo senador ou por seu grupo de influência.

Paralelamente, os investigadores apuram se parte desse recurso milionário foi desviada para custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Esta apuração é considerada de alta complexidade técnica e exigirá mecanismos de cooperação internacional com autoridades norte-americanas, visando a quebra de sigilo dos envolvidos no exterior para rastrear o destino final do dinheiro.

A terceira linha de investigação, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, analisa a destinação de emendas parlamentares do PL para entidades e ONGs ligadas à produtora do filme, de propriedade da empresária Karina da Gama. Há suspeitas de que políticos como Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon tenham utilizado esses recursos para financiar indiretamente a obra cinematográfica. Em resposta às acusações, Flávio Bolsonaro nega qualquer ilicitude, sustentando que se tratou apenas de uma captação de financiamento privado, enquanto os demais parlamentares citados também refutam a existência de irregularidades. Além da esfera criminal, a Controladoria-Geral da União (CGU) conduz uma auditoria sobre o uso dessas verbas públicas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.