PF e CGU atacam rede de fraudes e propinas em prefeituras

Segunda etapa da Operação Conectados mira esquema que usava consultorias para vazar informações e vencer licitações de informática no Piauí.

Publicado em 2 de junho de 2026 às 10:00

PF e CGU atacam rede de fraudes e propinas em prefeituras
PF e CGU atacam rede de fraudes e propinas em prefeituras Crédito: Reprodução/PF

Uma megaoperação da Polícia Federal sacudiu o Piauí nesta terça-feira (02), com o objetivo de desmantelar um esquema criminoso especializado em desviar verbas públicas carimbadas para a saúde e a educação. Batizada de Operação Conectados, a ação conta com a parceria da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF). O foco principal é limpar contratos de fachada, fraudes em concorrências, lavagem de dinheiro e propinas que vinham drenando os cofres de municípios do estado.

Desta vez, os agentes federais saíram às ruas para cumprir 12 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As equipes concentraram as buscas em endereços estratégicos espalhados pelas cidades de Teresina e Oeiras. Durante o pente-fino de hoje, os policiais recolheram novos computadores, documentos e pacotes de dinheiro em espécie, que agora passam por uma triagem para identificar a extensão dos desvios.

Toda essa movimentação é fruto dos segredos revelados após a primeira fase da investigação, que aconteceu em 2024. Naquela época, os policiais encontraram uma verdadeira fortuna oculta: mais de R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo escondido em um endereço ligado a um escritório de contabilidade. Ao cruzarem os dados bancários e digitais daquela primeira apreensão, os investigadores perceberam que a teia de corrupção era muito maior e mais complexa do que imaginavam.

O ponto de partida do golpe se dava no setor de tecnologia. Auditorias da CGU descobriram que uma empresa de informática fechava contratos suspeitos com prefeituras usando verba do governo federal. Para garantir que essa empresa ganhasse sempre, o grupo criminoso utilizava contratos paralelos de assessoria com as administrações municipais. Desse modo, eles conseguiam acesso a informações privilegiadas sobre as futuras licitações antes de todo mundo, moldando as regras do jogo para favorecer os parceiros do esquema.

A Polícia Federal aponta que a organização funcionava como uma engrenagem bem azeitada, onde cada membro tinha uma função definida para ocultar quem eram os verdadeiros donos do dinheiro. Com os novos documentos em mãos, as autoridades querem desenhar o papel exato de cada suspeito, seguir a rota do dinheiro lavado e descobrir se o bando continuou roubando mesmo após a polícia ter batido à porta no ano passado. Os envolvidos estão na mira por crimes como fraude à licitação, associação criminosa, corrupção e lavagem de capitais.