Publicado em 18 de agosto de 2026 às 18:18
Nesta terça-feira (18), a Polícia Federal abriu um inquérito para investigar uma suposta fraude na filiação partidária do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. A apuração foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, depois que o sistema da Justiça Eleitoral registrou a entrada do senador no Missão e, automaticamente, a saída do PL.>
A alteração foi identificada na quinta-feira (13), quando Flávio apareceu no sistema Filia como integrante do Missão. A mudança ocorreu pouco antes do prazo para o registro das candidaturas e chegou a impedir, naquele momento, que o PL registrasse a candidatura do senador ao Palácio do Planalto. A defesa afirmou ao TSE que Flávio nunca solicitou a filiação ao novo partido.>
Segundo os advogados, uma certidão emitida às 23h17 de quarta-feira (12) ainda mostrava o senador regularmente filiado ao PL. Na manhã seguinte, porém, uma nova consulta indicava que ele havia deixado a legenda e ingressado no Missão. A defesa afirmou que a alteração ocorreu em um intervalo inferior a 11 horas.>
Nunes Marques determinou que a PF identifique quem fez a alteração, em quais circunstâncias e qual foi o contexto do lançamento das informações no sistema. O ministro também ordenou a preservação dos registros de acesso ao Filia, plataforma utilizada pelos partidos para comunicar à Justiça Eleitoral novas filiações e desligamentos.>
Após analisar o caso, Nunes Marques desconsiderou o vínculo de Flávio Bolsonaro com o Missão e determinou o restabelecimento da filiação ao PL, que existia desde novembro de 2021. Com a decisão, o sistema da Justiça Eleitoral voltou a registrar o senador como integrante do partido e retirou o vínculo com o Missão de seu histórico.>
A medida permitiu que Flávio registrasse sua candidatura à Presidência ainda na noite de quinta-feira. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) também se manifestou favoravelmente à decisão. Para o vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, a mudança de partido ocorreu quando o prazo para novas filiações válidas para as eleições já havia terminado.>
O episódio levou o TSE a suspender temporariamente o processamento de novas filiações partidárias pelo sistema Filia. A medida foi adotada como precaução enquanto a Corte verifica alterações realizadas na plataforma. Segundo o tribunal, a interrupção não prejudica os candidatos que disputarão as eleições deste ano.>
Além do caso envolvendo Flávio, uma apuração interna identificou uma tentativa de alteração na filiação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse episódio, a mudança não chegou a ser concluída. O TSE também verifica se houve tentativas semelhantes envolvendo outros candidatos à Presidência.>
Antes da decisão de Nunes Marques, o TSE informou que não havia identificado uma invasão ao sistema da Justiça Eleitoral. Segundo a Corte, a filiação de Flávio ao Missão foi cadastrada por uma pessoa que utilizou credenciais da própria legenda. O lançamento no Filia provocou automaticamente o encerramento do vínculo do senador com o PL.>
O Missão classificou o episódio como uma tentativa de filiação fraudulenta e afirmou que também fará uma apuração interna. Em nota, o partido informou que pretende entregar às autoridades os dados relacionados ao caso.>
O presidente nacional do Missão e candidato da legenda à Presidência, Renan Santos, afirmou que o partido não tinha interesse na filiação de Flávio Bolsonaro. “A última coisa que a gente quer é o Flávio Bolsonaro filiado à Missão”, declarou.>
Agora, a investigação da Polícia Federal deverá apurar quem utilizou as credenciais do partido para realizar a alteração e quais foram as circunstâncias do registro. O objetivo é esclarecer como a mudança ocorreu e se houve fraude no sistema de filiação partidária da Justiça Eleitoral.>