PF mantém conclusão e volta a dizer que não encontrou provas de interferência de Bolsonaro

Relatório enviado ao STF reafirma ausência de elementos para responsabilização penal.

Publicado em 12 de abril de 2026 às 18:03

PF mantém conclusão e volta a dizer que não encontrou provas de interferência de Bolsonaro
PF mantém conclusão e volta a dizer que não encontrou provas de interferência de Bolsonaro Crédito: Reprodução

O inquérito que apura uma suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal voltou ao centro das atenções após a corporação, em nova análise, reafirmar que não encontrou provas suficientes para sustentar a acusação de crime. O relatório complementar foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que agora remeteu o caso à Procuradoria-Geral da República para decisão sobre novos passos da investigação.

A revisão foi feita já na atual gestão da Polícia Federal e retoma um caso que teve início após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça, em 2020. Na ocasião, o então ministro afirmou ter sofrido pressão de Bolsonaro para promover mudanças em cargos estratégicos dentro da corporação, especialmente na direção e em superintendências regionais.

O episódio levou à abertura do inquérito, que investigava se houve tentativa de ingerência política nas apurações conduzidas pela PF. Em 2022, ainda durante o governo Bolsonaro, a corporação já havia concluído pela inexistência de interferência indevida e o então procurador-geral Augusto Aras pediu o arquivamento do caso.

Com a retomada das apurações por determinação de Alexandre de Moraes, a PF revisou novamente as provas reunidas e manteve o entendimento anterior. Segundo o novo relatório, os elementos colhidos, inclusive pedidos de compartilhamento de informações do inquérito das fake news, não apresentaram dados concretos que justificassem imputação penal ao ex-presidente.

O documento, assinado pelo delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, da Diretoria de Inteligência Policial, destaca que as diligências realizadas à época dos fatos não revelaram evidências capazes de sustentar uma acusação criminal. Também foi registrado que o próprio STF informou não haver, naquele inquérito paralelo, provas que confirmassem interferência direta na Polícia Federal.

A investigação ganhou relevância política porque uma das linhas de apuração buscava esclarecer se eventuais mudanças na estrutura da PF poderiam estar relacionadas ao avanço de investigações envolvendo aliados do então presidente, especialmente no contexto do inquérito das fake news.

Apesar da nova conclusão da Polícia Federal, o caso ainda não está encerrado. Caberá agora ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, avaliar o relatório e decidir se solicita novas diligências ou se pede o arquivamento definitivo do processo no Supremo Tribunal Federal.