PF mira suposto esquema de venda de decisões no TJ do Maranhão e bloqueia R$ 50 milhões

Operação Inauditus cumpre 25 mandados em quatro estados, afasta servidores e apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa.

Publicado em 1 de abril de 2026 às 09:45

PF mira suposto esquema de venda de decisões no TJ do Maranhão e bloqueia R$ 50 milhões
PF mira suposto esquema de venda de decisões no TJ do Maranhão e bloqueia R$ 50 milhões Crédito: Reprodução/PF

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (1º), a Operação Inauditus para investigar um suposto esquema de corrupção envolvendo decisões judiciais no Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA). A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclui 25 mandados de busca e apreensão, prisão preventiva de um apontado como principal operador do grupo, afastamento de servidores e bloqueio de bens que somam até R$ 50 milhões.

Segundo as investigações, o grupo é suspeito de manipular o andamento de processos e direcionar decisões para beneficiar interesses em um litígio agrário de grande valor financeiro. A apuração da PF aponta indícios de uma “celeridade seletiva”, expressão usada para indicar que determinadas ações judiciais teriam recebido tratamento prioritário de forma irregular, em troca de vantagens indevidas.

A operação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas, com sinais de triangulação de valores e tentativa de ocultar a origem do dinheiro, o que reforça as suspeitas de lavagem de recursos. Além das buscas, seis investigados passaram a ser monitorados eletronicamente e foram proibidos de acessar as dependências do tribunal ou manter contato entre si.

As diligências foram realizadas em diferentes cidades do Maranhão, como São Luís, São José de Ribamar, Arari, Balsas, Bacabal e Guimarães, além de endereços em Fortaleza, São Paulo e Lagoa Seca, na Paraíba. Entre os locais alvos estão gabinetes, escritórios de advocacia e empresas ligadas aos investigados.

A investigação ainda corre sob sigilo em parte, mas as suspeitas envolvem crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas máximas para esses delitos podem chegar a 42 anos de prisão, caso haja condenação ao fim do processo.