PF pede investigação contra governador do ES por suspeita de troca de favores com juiz federal

Pedido foi enviado ao STF após análise de mensagens encontradas no celular de magistrado apreendido em operação.

Publicado em 2 de março de 2026 às 11:51

PF pede investigação contra governador do ES por suspeita de troca de favores com juiz federal
PF pede investigação contra governador do ES por suspeita de troca de favores com juiz federal Crédito: Adriano Zucolotto/Governo-ES

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de investigação contra o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, do PSB, por suspeita de possível troca de favores com o juiz federal Macário Júdice. O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por relatar o caso na Corte.

A solicitação partiu da equipe da Polícia Federal no Rio de Janeiro e tem como base conversas encontradas no celular do magistrado, que foi apreendido durante uma operação. Segundo os investigadores, as mensagens indicariam que o governador teria pedido ao juiz apoio em um processo envolvendo aliados políticos, entre eles um prefeito que respondia por improbidade administrativa. A PF sustenta que o magistrado teria atendido ao pedido.

O caso está conectado a um inquérito já em andamento no Supremo Tribunal Federal, que também envolve o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias. O juiz citado nas mensagens integra essa mesma investigação.

Se o ministro decidir autorizar a abertura formal do inquérito, a apuração deverá tramitar no Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão competente para investigar governadores em exercício.

Em nota enviada à imprensa, Renato Casagrande afirmou que o contato com o magistrado teve caráter institucional e republicano. Segundo ele, o objetivo era agilizar a tramitação de um processo que gerava insegurança jurídica e política ao município em um período pré-eleitoral. O governador declarou ainda que as conversas ocorreram por aplicativo de mensagens e que não houve qualquer conteúdo sigiloso ou ilegal.

O pedido da PF agora aguarda decisão do Supremo, que vai avaliar se há elementos suficientes para transformar as suspeitas em investigação formal.