Pisa: Brasil diminui diferença para países ricos em desempenho escolar

Em duas décadas, distância dos estudantes brasileiros em relação à média da OCDE reduziu em matemática, leitura e ciências

Publicado em 8 de setembro de 2026 às 18:47

Levantamento de 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências.
Levantamento de 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A diferença que separa o desempenho escolar dos estudantes brasileiros em relação aos alunos das nações desenvolvidas diminuiu de forma consistente ao longo das últimas duas décadas. É o que apontam os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O exame internacional é aplicado a cada três anos e avalia os conhecimentos de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências.

No levantamento de 2025, o Brasil registrou 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Embora os índices mantenham o país abaixo das médias gerais da OCDE, o abismo histórico que separa os estudantes brasileiros da média dos países ricos encolheu de forma expressiva. O comparativo entre os ciclos de 2006 e 2025 revela que a diferença de desempenho caiu de 102 para 58 pontos em leitura (uma redução de 44 pontos), de 131 para 92 em matemática (recuo de 39 pontos) e de 113 para 77 em ciências (queda de 36 pontos).

O exame de 2025, que avaliou 760 mil estudantes em 91 países (com amostra de 30.140 estudantes brasileiros), teve as ciências como foco principal do letramento. Foi justamente em ciências que a nota do Brasil mais evoluiu na comparação direta com o ciclo de 2022, saltando de 403 para 409 pontos. Além disso, o relatório do Pisa constatou que o país apresentou uma recuperação pós-pandemia de covid-19 superior à média da OCDE, superando o seu próprio desempenho pré-pandemia em ciências e registrando perdas menores em leitura e matemática entre 2018 e 2025.

Outro ponto amplamente positivo destacado no Pisa 2025 foi o controle do uso de tecnologias nas escolas. O relatório apontou que 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas que aplicam restrições ao uso de aparelhos celulares em sala de aula. O percentual representa um salto expressivo em relação aos 37% registrados em 2022 e supera amplamente a média dos países da OCDE, que é de 49%. Segundo o Ministério da Educação (MEC), o avanço expressivo reflete a implementação da Lei nº 15.100/2025, que regulamentou o uso desses dispositivos na educação básica de todo o país.

Os questionários contextuais aplicados aos jovens também apontaram melhoras de comportamento e percepção. No Brasil, 72% dos estudantes declararam ter interesse por assuntos diversos e 59% disseram se esforçar mais diante de desafios. Adicionalmente, a parcela de alunos que considera a escola uma perda de tempo caiu para 16%, patamar inferior aos 24% da média da OCDE.

Os alunos brasileiros que rejeitam a ideia de que a escola é inútil obtiveram, em média, 35 pontos a mais em ciências. Por fim, os estudantes do país se posicionaram entre os mais engajados com o meio ambiente no mundo, sendo que 84% acreditam que podem gerar impactos positivos no planeta e 87% confiam na força das ações coletivas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.