Plano de Vorcaro para monitorar e conter a jornalista Malu Gaspar é revelado pela PF

Conversas em celulares apreendidos mostram a reação de Daniel Vorcaro aos furos de reportagem que expunham os bastidores de sua instituição financeira.

Publicado em 3 de julho de 2026 às 07:51

Plano de Vorcaro para monitorar e conter a jornalista Malu Gaspar é revelado pela PF
Plano de Vorcaro para monitorar e conter a jornalista Malu Gaspar é revelado pela PF Crédito: Reprodução/Redes sociais

Uma investigação recente da Polícia Federal, detalhada pelo portal Fatos On-line, trouxe à tona os bastidores de um plano arquitetado por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, para tentar frear o trabalho de Malu Gaspar, colunista de O Globo. Os dados extraídos do celular do ex-banqueiro, que já se encontra preso, revelam uma estratégia agressiva desenvolvida em parceria com seu sócio, o empresário de comunicação Thiago Miranda, com o objetivo explícito de afastar a jornalista da cobertura financeira que envolvia a instituição.

O sinal de alerta para a cúpula do banco acendeu no fim de março de 2025, quando Malu Gaspar publicou uma reportagem apontando que o Banco de Brasília pretendia absorver apenas uma parcela dos títulos de crédito distribuídos pelo Master. A informação baseava-se em declarações de Paulo Henrique Costa, então presidente da instituição brasiliense e que também viria a ser detido pela Polícia Federal.

A repercussão da notícia irritou profundamente Vorcaro, que no dia seguinte enviou mensagens a seu sócio cobrando uma devassa na vida pessoal da colunista. A resposta de Thiago Miranda foi imediata, prometendo vasculhar o histórico da profissional até encontrar algo que pudesse ser utilizado contra ela.

Diante da dificuldade de encontrar pontos vulneráveis na vida de Malu Gaspar, a estratégia mudou de rumo e os envolvidos tentaram tirar a jornalista do mercado através de uma proposta financeira astronômica. Em abril de 2025, Miranda fez uma oferta formal de emprego em nome da Leo Dias TV, empresa em que mantinha sociedade com Vorcaro.

A Polícia Federal localizou nos dispositivos apreendidos a minuta de um contrato impressionante, que previa o pagamento de 1,5 milhão de reais em luvas, salário mensal de 120 mil reais e o comando de um programa diário focado em economia e política. Apesar do esforço financeiro, os próprios empresários demonstravam ceticismo nas conversas privadas, cientes de que o perfil da jornalista não se corrompia pelo fator financeiro.

A tentativa de contratação falhou e as reportagens sobre o banco continuaram firmes, o que provocou reações ainda mais hostis por parte de Vorcaro em suas mensagens. O descontentamento do ex-banqueiro não se limitou a Malu Gaspar, e o colunista Lauro Jardim, também de O Globo, entrou na mira das conversas após novas publicações.

De acordo com os relatórios da Polícia Federal, as conversas entre os sócios chegaram a cogitar métodos extremos de intimidação contra Lauro Jardim, incluindo a simulação de um assalto seguido de agressões físicas. Essa linha de conduta violenta faz parte do conjunto de crimes apurados que fundamentaram as ações da corporação contra o grupo.