PMs são presos suspeitos de cobrar propina por escolta privada a empresa no RJ

Operação do MPRJ denunciou três policiais militares por venderem patrulhamento ostensivo direcionado a clínica em Belford Roxo

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 15:50

Imagem ilustrativa.
Imagem ilustrativa. Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Três policiais militares do Estado do Rio de Janeiro foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta quinta-feira (10), sob a acusação de cobrar propina em troca de oferecer policiamento privado e privilegiado. O grupo foi denunciado pelo crime de corrupção passiva militar após investigações apontarem a venda de patrulhamento direcionado a estabelecimentos em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

De acordo com o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp/MPRJ), os acusados negociaram pagamentos para dar atendimento diferenciado à Clínica Fênix. O estabelecimento fazia parte de um grupo de comerciantes e empresas apelidado pelos próprios policiais de "padrinhos", que pagavam valores para ter patrulhamento exclusivo, prioridade em rotas de rondas e atendimento imediato quando acionados, utilizando a estrutura pública da Polícia Militar para atender a interesses particulares.

No caso específico da clínica, as apurações identificaram o repasse de R$ 50 e negociações para elevar o valor da propina para R$ 100. Mensagens encontradas em celulares apreendidos mostram os policiais discutindo os valores, inclusive usando a gíria "galo" para se referirem à quantia de R$ 50. A investigação detalhou que o esquema possuía uma divisão coordenada de tarefas: enquanto um PM intermediava o contato e definia os preços, outro acompanhava os pagamentos e um terceiro executava a ronda no local, enviando fotos em um grupo de WhatsApp para comprovar a presença e recebendo a quantia pessoalmente.

Os episódios apurados ocorreram entre setembro e outubro de 2021, período em que os três envolvidos eram lotados no 39º Batalhão da PM, em Belford Roxo. Dois dos investigados já se encontravam custodiados em decorrência de outros desdobramentos da mesma apuração e receberam as novas ordens de prisão no Batalhão Especial Prisional (BEP) e no presídio Joaquim Ferreira de Souza; já o terceiro militar foi preso em sua casa, no município de Nova Iguaçu. Um dos policiais denunciados foi expulso da corporação e a denúncia apresentada pelo Ministério Público foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

A ação corresponde à sexta fase da Operação Patrinus, conduzida pelo Gaesp/MPRJ em parceria com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). Deflagrada originalmente em maio de 2024, a Operação Patrinus já resultou na prisão e denúncia de dezenas de policiais envolvidos em achaque a comerciantes, segurança clandestina e comércio ilegal de armas de fogo apreendidas.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.