Polícia apreende eletrônicos e avança na apuração sobre morte de cão comunitário em Florianópolis

Investigação envolve adolescentes suspeitos de maus-tratos e apura possível coação a testemunha.

Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 10:04

Polícia apreende eletrônicos e avança na apuração sobre morte de cão comunitário em Florianópolis
Polícia apreende eletrônicos e avança na apuração sobre morte de cão comunitário em Florianópolis Crédito: Reprodução/Redes sociais

A morte do cão comunitário conhecido como Orelha, que vivia na região da Praia Brava, em Florianópolis, levou a Polícia Civil de Santa Catarina a intensificar as investigações nesta segunda-feira (26). Ao longo da manhã, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados a adolescentes apontados como suspeitos das agressões que resultaram na morte do animal.

Durante uma das diligências, realizada por volta das 6h no bairro João Paulo, os policiais recolheram celulares, notebooks e outros dispositivos eletrônicos, que agora serão submetidos à perícia. Segundo a Polícia Civil, o material pode ajudar a esclarecer a dinâmica do crime e eventuais responsabilidades adicionais.

De acordo com o delegado-geral da corporação, Ulisses Gabriel, os jovens são investigados pelos crimes de maus-tratos contra animais e coação. Apesar das medidas judiciais cumpridas, os adolescentes não foram apreendidos até o momento, seguindo o que prevê a legislação específica para menores de idade.

Além da violência contra Orelha, também chamado de Preto por moradores, a apuração inclui uma suspeita de intimidação a um porteiro de um prédio relacionado a um dos investigados. A hipótese é de que o homem tenha sido ameaçado pelo pai de um dos adolescentes para não colaborar com as autoridades.

O caso ganhou repercussão estadual nos últimos dias. No domingo (25), o governador Jorginho Mello afirmou publicamente que novas informações sobre a investigação seriam divulgadas em breve. Já o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que pretende ouvir os adolescentes nos próximos dias. Após os depoimentos e a análise das provas reunidas, o órgão deverá decidir quais medidas socioeducativas poderão ser aplicadas.

A Polícia Civil confirmou, na semana passada, a identificação dos quatro suspeitos. Segundo a delegada responsável pelo caso, Mardjoli Adorian Valcareggi, há indícios consistentes de autoria e a investigação descartou qualquer interferência externa que pudesse comprometer a apuração. Ela reforçou que o trabalho segue de forma técnica e imparcial.

As investigações também apontam que outro cachorro, chamado Caramelo, teria sido alvo de agressões pelo mesmo grupo, incluindo uma tentativa de afogamento. O animal acabou sendo adotado pelo próprio delegado-geral Ulisses Gabriel.

Orelha vivia há quase uma década na Praia Brava e era cuidado de forma coletiva por comerciantes, pescadores e moradores da região. Encontrado com ferimentos graves em diversas partes do corpo, o cão não resistiu às lesões e precisou ser sacrificado, o que gerou comoção e pedidos por justiça nas redes sociais.

Em vídeo divulgado anteriormente, Ulisses Gabriel afirmou que o caso recebeu atenção direta do governo estadual e garantiu que os responsáveis serão responsabilizados. “As providências já estão em andamento, e os envolvidos responderão na Justiça”, declarou.