Publicado em 19 de junho de 2026 às 08:09
Uma megaoperação da Polícia Civil do Ceará deflagrada nesta quinta-feira (18) chocou o país ao revelar o tamanho da fortuna movimentada por uma das maiores facções criminosas do Brasil. As investigações apontam que o grupo conseguiu girar mais de 1 bilhão de reais entre os anos de 2023 e 2025. Para asfixiar o poder econômico da organização, a Justiça determinou o congelamento imediato de diversas contas bancárias ligadas aos suspeitos, espalhando as ações por oito estados brasileiros que serviam de base ou rota de fuga para os envolvidos.>
O balanço inicial da ofensiva contabiliza o cumprimento de 47 mandados de prisão por lavagem de dinheiro e organização criminosa. Desse total, 28 pessoas foram capturadas nas ruas, enquanto outros 18 alvos, que já cumprem pena no sistema prisional, receberam novas ordens de prisão na cela. A operação se estendeu pelo Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins, focando na captura de membros que tentavam escapar da pressão policial migrando para outras regiões do território nacional.>
Só no Ceará, o impacto foi grande com 41 decisões judiciais executadas em dez municípios diferentes, incluindo a cidade de Sobral. Os agentes conseguiram recolher cerca de 100 mil reais em dinheiro vivo, armas e munições. O confisco de bens também chamou a atenção: cinco imóveis foram sequestrados pelo Estado, entre eles uma fazenda inteira. Além disso, 64 veículos foram apreendidos, sendo que 16 deles estavam em Sobral. A frota confiscada contava com modelos de alto padrão, como picapes Hilux e SUVs do tipo SW4 e Compass, que ostentam valores altíssimos no mercado.>
O esquema contava ainda com um braço técnico e jurídico bem estruturado para esconder a origem do dinheiro. Dois advogados entraram na mira dos investigadores por suspeita de participação direta na engenharia financeira da quadrilha. Um deles acabou preso em Fortaleza, acusado de operar os recursos ilícitos, enquanto o outro foi alvo de buscas em seu escritório de advocacia. Segundo a coordenação da operação, a facção montou uma estrutura altamente refinada para lavar o capital obtido com as atividades criminosas.>
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará, Márcio Gutiérrez, o objetivo central da ação vai muito além das prisões, focando no desmonte patrimonial da facção para enfraquecer o grupo. O chefe da instituição explicou que as buscas simultâneas em tantos estados se devem ao fato de que, à medida que o cerco fecha no Ceará, os liderados procuram abrigo nas regiões Norte, Centro-Oeste e no Rio de Janeiro. A polícia confirmou que as buscas continuam ativas para localizar e prender outros 15 integrantes que estão com a prisão preventiva decretada e permanecem foragidos.>