Polícia Civil mira facção que operava 'tribunal do crime' no Sul de Minas

Com mais de trinta mandados de busca e ordens de prisão, a operação mobilizou 140 agentes para desmantelar uma rede de tráfico e punições ilegais na região.

Publicado em 9 de julho de 2026 às 08:43

Polícia Civil mira facção que operava 'tribunal do crime' no Sul de Minas
Polícia Civil mira facção que operava 'tribunal do crime' no Sul de Minas Crédito: Reprodução/PCMG

Uma megaoperação da Polícia Civil de Minas Gerais movimentou as primeiras horas desta quinta-feira (09) no Sul do estado. Cerca de 140 policiais saíram às ruas para cumprir 29 mandados de prisão temporária e 31 de busca e apreensão. O objetivo principal da terceira fase da Operação Caronte é sufocar uma célula de uma facção criminosa que, além de controlar o tráfico de entorpecentes em pontos específicos, vinha ditando as próprias leis na região por meio de um violento "tribunal do crime".

A ofensiva policial concentrou as suas forças em cinco municípios mineiros: Itajubá, Piranguinho, São Lourenço, Brazópolis e Wenceslau Braz. Conforme apontam as investigações, a organização criminosa mantinha um controle rígido sobre o comércio de substâncias ilícitas e agia como um poder paralelo, castigando severamente quem desobedecesse as suas ordens.

Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores é o perfil dos alvos. Além dos membros da própria facção, a polícia mirou cidadãos comuns que recorriam aos criminosos para resolver desavenças e problemas particulares. Para a corporação, esse tipo de atitude fortalece a existência de uma estrutura judicial clandestina e perigosa nas comunidades.

A estrutura montada para a ação contou com policiais civis vindos de delegacias regionais de Pouso Alegre, Poços de Caldas, São Lourenço e Itajubá. A força tarefa também recebeu o reforço essencial da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), além de equipes com cães farejadores e suporte aéreo do Hangar da instituição.

A investida contra esse grupo criminoso não é recente. A Operação Caronte teve o seu pontapé inicial ainda em agosto de 2020. Naquela primeira etapa, os agentes conseguiram prender 21 suspeitos, além de retirar de circulação armamento, aparelhos celulares e uma quantidade significativa de entorpecentes.

Pouco mais de um ano depois, em outubro de 2021, a segunda fase da investigação cruzou fronteiras e efetuou 30 prisões espalhadas entre Minas Gerais e o Mato Grosso do Sul. Naquela época, os policiais apreenderam documentos, munições e mais de 10 quilos de drogas, descobrindo que, mesmo com as baixas anteriores, o bando insistia em manter o funcionamento de suas punições paralelas contra moradores e integrantes desobedientes. A ação de hoje busca dar o xeque-mate definitivo nessa estrutura.