Publicado em 28 de maio de 2026 às 08:22
Uma estrutura criminosa altamente tecnológica, que transformava a solidariedade das pessoas em lucro milionário, começou a ser desmantelada na manhã desta quinta-feira (28). A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio de sua Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, colocou nas ruas a Operação Eclipse.>
O objetivo principal foi frear um bando que usava o drama real de um menino de apenas 10 anos, morador do litoral gaúcho e portador de uma síndrome grave e cara, para desviar doações via Pix que deveriam ir para o seu tratamento de saúde.>
A engenharia do golpe era sofisticada e cruel. Os golpistas pegavam fotos, relatos e detalhes médicos verdadeiros da criança, que luta contra a distrofia muscular de Duchenne em Capão da Canoa, e criavam páginas idênticas às de vaquinhas virtuais autênticas. Para alcançar o maior número de vítimas, o grupo pagava por anúncios patrocinados nas redes sociais.>
Quem via a postagem achava que estava salvando uma vida, mas o dinheiro caía direto na conta de empresas de fachada criadas pelo grupo. Só uma das páginas fakes simulava ter arrecadado mais de R$ 248 mil, mas o rastro bancário dos suspeitos revelou um fluxo de milhões de reais.>
Para dar tamanho nó na polícia, a quadrilha utilizava servidores de internet localizados fora do Brasil e intermediadores de pagamento profissionais. O esquema era coordenado por três cabeças, que viraram alvos de mandados de prisão preventiva: um homem de 30 anos localizado em Curitiba, responsável por arquitetar a engenharia financeira; outro de 30 anos em Londrina, que cuidava das contas e empresas usadas no fluxo do dinheiro; e um terceiro de 31 anos, em Contagem, que registrava os sites falsos.>
O cerco da Operação Eclipse não se limitou ao Sul. Ao todo, a Justiça expediu três ordens de prisão e seis mandados de busca e apreensão, além do bloqueio imediato de todas as contas e bens dos envolvidos. Os policiais federais e civis cruzaram fronteiras e atuaram em cidades do Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.>
A investigação agora entra em uma nova fase para rastrear se existem outros envolvidos na lavagem do dinheiro e descobrir o tamanho exato do rombo financeiro deixado pelos criminosos.>