Publicado em 12 de maio de 2026 às 08:15
Uma fiscalização de rotina no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, revelou um esquema inusitado e clandestino dentro do sistema prisional. Agentes da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seppen) encontraram um buraco na parede que conectava os banheiros masculino e feminino do Instituto Penal Benjamin de Moraes Filho. A abertura, camuflada por uma porta improvisada de tábuas de madeira e uma tranca simples, servia como atalho para que presos sem autorização oficial realizassem visitas íntimas com mulheres que visitavam a unidade.>
O esquema funcionava em uma área estratégica: os banheiros utilizados exclusivamente nos dias de visitação. Como o presídio é uma unidade masculina e não possui alas femininas, os sanitários para as mulheres são disponibilizados apenas para quem vai visitar os internos. Segundo as investigações, o "puxadinho" ilegal permitia que casais burlassem as regras rígidas do sistema penitenciário para manter relações sexuais fora das normas estabelecidas pela direção.>
A descoberta gerou punições imediatas para os envolvidos. A Seppen confirmou que o buraco foi fechado e a estrutura de madeira destruída. Os detentos que utilizavam a passagem foram colocados em isolamento preventivo e uma das visitantes já identificada teve sua carteira de acesso suspensa, perdendo o direito de entrar no complexo.>
O caso também provocou mudanças na gestão da unidade. De acordo com o órgão, o diretor do presídio foi exonerado do cargo pouco antes da divulgação do incidente, e a Corregedoria-Geral instaurou uma sindicância para apurar como a obra foi feita sem que ninguém percebesse e se houve omissão ou conivência de funcionários. O objetivo agora é entender há quanto tempo a "passagem secreta" estava em operação no coração de um dos maiores complexos de segurança do estado.>