Publicado em 15 de julho de 2026 às 07:38
A recente determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que impede o senador Flávio Bolsonaro de se aproximar e conversar com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pelos próximos três meses, pode estar com os dias contados. Nos bastidores do Judiciário brasileiro, a expectativa geral de magistrados que mantêm boa relação com o ministro é de que a rigidez da decisão seja atenuada em breve, após uma reavaliação técnica do cenário.>
A suspensão das visitas, decretada no início desta semana, gerou um desconforto imediato nas cúpulas do poder em Brasília. A avaliação reservada de colegas de Moraes em tribunais superiores é de que a canetada foi excessiva e motivada pelo calor do momento. Como a restrição se estende até meados de outubro, ultrapassando a data do primeiro turno das eleições, o impacto prático da medida foi interpretado como uma interferência desnecessária no calendário político.>
A insatisfação com o isolamento imposto ao ex-presidente não ficou restrita aos seus apoiadores tradicionais, encontrando eco em diferentes lados do espectro político. Integrantes do próprio governo federal e outros magistrados da Suprema Corte enxergaram a decisão como um erro tático. Para esses interlocutores, o veto acabou entregando um palco ideal para que Flávio Bolsonaro se coloque na posição de vítima e reforce o discurso de perseguição perante o eleitorado.>
O caso ganhou contornos ainda mais complexos pelo fato de o senador atuar formalmente na defesa legal de seu pai. Essa dupla dinâmica de filho e defensor motivou a entrada da Ordem dos Advogados do Brasil na história.>
A entidade acionou o STF por meio de um ofício enviado diretamente a Moraes, solicitando que a proibição seja derrubada para garantir as prerrogativas profissionais de Flávio, permitindo que ele continue prestando assistência jurídica ao ex-presidente.>