Prisões por violência doméstica crescem mais de 30% em São Paulo após ampliação de denúncias

Integração entre polícias, novos canais de atendimento e uso de tecnologia fortalecem combate à violência contra a mulher no estado.

Publicado em 5 de março de 2026 às 09:25

Prisões por violência doméstica crescem mais de 30% em São Paulo após ampliação de denúncias
Prisões por violência doméstica crescem mais de 30% em São Paulo após ampliação de denúncias Crédito: Reprodução/Ministério da Justiça e Segurança Pública

O número de prisões de agressores por violência doméstica aumentou de forma significativa no estado de São Paulo em 2025. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, 18,5 mil pessoas foram detidas por crimes desse tipo ao longo do ano, um crescimento de 31,2% em relação a 2024, quando 14,1 mil suspeitos haviam sido presos.

O avanço está ligado principalmente à ampliação dos canais de denúncia e ao fortalecimento das ações de proteção às vítimas. Mesmo assim, os números ainda revelam um desafio importante: grande parte das mulheres que acabam sendo vítimas de feminicídio não havia procurado ajuda antes. No ano passado, entre os 270 casos registrados no estado, 72% das vítimas não tinham feito boletim de ocorrência anteriormente e apenas 22% haviam solicitado medida protetiva.

Para ampliar a rede de proteção, o governo paulista passou a investir em ferramentas tecnológicas e em integração entre as forças de segurança. Uma das iniciativas é o sistema SP Mulher, criado em 2023 para reunir dados e padronizar os atendimentos. A plataforma conecta as polícias Militar, Civil e Técnico Científica, facilitando a troca de informações e agilizando o atendimento às vítimas.

Outra estratégia adotada foi o monitoramento eletrônico de agressores. Desde setembro de 2023, homens investigados ou condenados por violência doméstica podem ser obrigados a usar tornozeleira eletrônica. Até agora, 712 agressores já passaram por esse tipo de monitoramento, sendo que 189 continuam com o dispositivo ativo. O acompanhamento também permitiu levar 211 suspeitos novamente à delegacia, com 120 deles permanecendo presos por desrespeitar medidas protetivas.

A tecnologia também tem sido usada diretamente pelas vítimas. O aplicativo SP Mulher Segura já reúne cerca de 45,7 mil usuárias e contabiliza 9,6 mil acionamentos do botão do pânico. Quando ativado, o sistema envia a localização da vítima para a polícia, que pode agir rapidamente para prestar socorro. A plataforma ainda cruza dados de geolocalização entre vítimas e agressores monitorados, ajudando a prevenir aproximações proibidas pela Justiça.

No atendimento emergencial, a Polícia Militar também passou a contar com a chamada Cabine Lilás. A iniciativa permite que mulheres que ligam para o número 190 sejam atendidas por policiais femininas treinadas para oferecer acolhimento e orientação imediata.

Essas profissionais acompanham denúncias de violência doméstica, dão suporte principalmente a vítimas que já possuem medidas protetivas e também monitoram agressores que utilizam tornozeleiras eletrônicas para evitar que se aproximem das ex-companheiras.