Quem são os três vereadores presos em Sobral por suspeita de pagar ‘pedágio’ a facção

Parlamentares foram presos durante operação que investiga influência do Comando Vermelho nas eleições de Sobral

Publicado em 11 de agosto de 2026 às 17:48

Parlamentares foram presos durante operação que investiga influência do Comando Vermelho nas eleições de Sobral
Parlamentares foram presos durante operação que investiga influência do Comando Vermelho nas eleições de Sobral Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (11), três vereadores de Sobral, no Ceará, foram presos preventivamente durante a Operação Omertá, que investiga a suposta influência do Comando Vermelho nas eleições do município. Segundo o Ministério Público do Ceará (MPCE), candidatos teriam sido obrigados a pagar entre R$ 30 mil e R$ 60 mil à organização criminosa para conseguir acesso a determinados bairros durante as campanhas eleitorais.

Os vereadores presos são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União Brasil). Além das prisões, os três foram afastados dos cargos por um período inicial de 180 dias por determinação judicial.

De acordo com as investigações, o chamado “pedágio” seria de R$ 30 mil para candidatos que não tinham mandato e poderia chegar a R$ 60 mil para políticos que já ocupavam cargos eletivos. A apuração também investiga supostas ameaças e atos de coação contra eleitores.

A operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, 25 de busca e apreensão e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. As ordens foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. A ação foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL).

Quem são os vereadores presos

Carlos Evanilson Oliveira Vasconcelos, conhecido como Carlos do Calisto, tem 62 anos e nasceu em Sobral. Sua atuação política é concentrada principalmente no distrito de Jaibaras. Ele é vaqueiro e declarou à Justiça Eleitoral propriedades rurais e criação de gado entre seus bens.

Nas eleições de 2024, Carlos foi o vereador mais votado de Sobral, com 4.176 votos, o equivalente a 3,41% dos votos válidos. Ele também foi eleito em 2016 e 2020, quando estava filiado ao PDT. Em 2012, conquistou o primeiro mandato de vereador pelo PSB.

Em 2021, durante a gestão do então prefeito Ivo Gomes, Carlos do Calisto assumiu a Secretaria da Conservação e dos Serviços Públicos de Sobral.

Raimundo Nonato do Nascimento, conhecido como Junim do Povo, tem 50 anos e também nasceu em Sobral. Ele foi eleito vereador em 2024 pelo Podemos, com 1.209 votos, correspondentes a 0,99% do total.

Antes disso, em 2020, Junim do Povo foi suplente de vereador quando era filiado ao PT.

Mário Vicktor Linhares Cavalcante tem 27 anos, é natural de Sobral e atua como advogado. Atualmente, preside a Comissão de Redação e Justiça da Câmara Municipal.

Em 2024, foi eleito vereador pelo União Brasil com 3.069 votos, o equivalente a 2,51% do total. Ele também havia sido eleito para o cargo em 2020, quando concorreu pelo MDB.

A defesa de Mário Vicktor, representada pelo advogado Wentony Morais, informou que ainda não teve acesso integral aos autos do processo. Segundo o defensor, após analisar o conteúdo e os elementos da investigação, a defesa deverá se manifestar à imprensa.

Os partidos dos outros dois vereadores foram procurados, mas não haviam apresentado posicionamento oficial até a última atualização da reportagem.

Segundo os investigadores, o inquérito foi aberto em 2024 a partir da coleta de depoimentos e outras evidências sobre uma possível interferência da organização criminosa no processo eleitoral de Sobral.

Além da cobrança de valores de candidatos, a investigação apura supostas ameaças contra eleitores e pessoas envolvidas na organização de eventos políticos. Segundo o Ministério Público, algumas reuniões e eventos previstos para ocorrer em Sobral teriam sido cancelados após ameaças de morte e de ataques contra pessoas e estabelecimentos.

Os investigadores também informaram que uma policial militar está entre os alvos da operação. Segundo as autoridades, ela atuava no policiamento ostensivo e é casada com um homem apontado como chefe de uma organização criminosa em Sobral, que já estava preso.

O presidente da Câmara Municipal de Sobral, Chico Jóia Júnior (União), informou que ainda não havia recebido a documentação oficial sobre o afastamento dos vereadores. Segundo ele, os documentos solicitados pelos órgãos responsáveis estão sendo disponibilizados e a Câmara deverá divulgar um posicionamento oficial sobre o caso.

As investigações continuam e os vereadores são considerados suspeitos no âmbito do inquérito. A prisão preventiva e o afastamento dos cargos não representam, por si só, uma condenação.